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Profissionais discutem saúde mental em roda de conversa na Secretaria da Saúde
28/08/2025
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O auditório da Secretaria de Município da Saúde (SMS) reuniu enfermeiros e enfermeiras e profissionais médicos da rede pública, para uma roda de conversa dedicada ao tema da saúde mental com abordagem especial para o manejo de pacientes em crise. A atividade realizada nesta quarta-feira (27) antecipa o início da programação municipal do Setembro Amarelo - campanha nacional de prevenção ao suicídio - e buscou promover um espaço de escuta, reflexão e valorização dos profissionais que atuam diariamente no cuidado à população.
Entre os participantes, a enfermeira Amanda Raquel Serafim, que atua na rede municipal há 13 anos e possui mais de duas décadas de experiência em saúde mental. Ela disse que o cenário atual exige atenção, pois vivemos uma fase em que todo mundo se titula depressivo: “É muito vício em fármaco, psicotrópico, medicação controlada que requer um acompanhamento, que nem sempre é de uso contínuo”.
Amanda lembrou que o adoecimento mental não afeta apenas o indivíduo, mas reverbera em toda a família. Afirma que um paciente adoecido consegue adoecer toda a sua estrutura familiar, por isso é importante ter o olhar como um todo e ter esse espaço (saúde mental) em todos os estabelecimentos. Ela elogiou a realização do encontro com outros colegas, pois foi uma oportunidade para os profissionais serem ouvidos, assim como para compartilhamento da realidade da ponta.
Com trajetória iniciada no Rio de Janeiro, durante a reforma psiquiátrica que implementou os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o modelo de hospital-dia, a enfermeira ressaltou a importância da formação permanente para fortalecer a rede e acredita ser necessário mais capacitações, porque cada paciente tem sua particularidade.
Saúde profissional
Pela SMS, o superintendente de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), Diego Miranda explicou que a roda de conversa foi organizada a partir de um diagnóstico situacional realizado no início do ano, após a implantação da SGTES. A superintendência elaborou um formulário respondido por todas as unidades de saúde da rede municipal. Muitos profissionais relataram desconfortos em relação à própria saúde mental e dificuldades para manejar pacientes em crise. “O encontro de hoje foi o primeiro e é uma resposta a esse levantamento, disse Miranda. De forma continuada, outros encontros vão ocorrer.
Diego destacou que a ação também busca aproximar a gestão dos servidores, fortalecendo a educação permanente e oferecendo suporte à categoria. Afirma que cuidar dos profissionais é também cuidar dos usuários do SUS. Por isso, a secretaria tem investido em práticas integrativas e complementares (PICs), que contribuem para o bem-estar de quem atua na linha de frente, na ponta.
Saúde mental no SUS
O psicólogo Pedro Amado trabalha com dependência química há 22 anos. Atualmente, coordena a Política de Álcool e Drogas do Município. Na prefeitura, é concursado há 12 anos onde atua no programa Consultório na Rua. Em manifestação para os profissionais da rede, chamou atenção para a necessidade de multiplicar os espaços de cuidado em saúde mental e do aumento de suicídios.
Ele avaliou que os CAPS – Centros de Atenção Psicossocial – são fundamentais, mas acredita que a saúde mental precisa sair mais desses centros e estar mais na atenção básica, nos hospitais e em outros lugares, porque ela também está nesses lugares. “É preciso multiplicar esses espaços, pois se eles não existem, surge o problema do excesso de medicalização”, cita. Pedro falou, também, sobre as crises de saúde mental, que refletem na quantidade de casos de suicídio. Disse que há aumento no Município, e considera “uma problemática perigosa e complicada”, ao lembrar que dados com mais consistência estão sendo produzidos.
A “cultura diagnóstica”, em que sofrimentos cotidianos passam a ser enquadrados como transtornos clínicos, também foi abordada pelo psicólogo. Disse que o adoecimento mental passa muito por uma questão de que se diagnostica com muita facilidade e as pessoas não sofrem mais, apenas elas têm diagnósticos. “Então, ninguém mais está triste ou se entristece; as pessoas se deprimem. A questão diagnóstica tomou conta dessa fala popular, do senso comum, e acaba prejudicando os processos de tratamento. Ninguém mais sofre por tédio; as pessoas têm ansiedade. É sempre uma questão diagnóstica. É sempre um problema muito grande. E, às vezes, não é tão grande. E nem é um manejo tão difícil.”
O psicólogo disse que o problema maior de saúde mental é que ela lhe rouba o tempo. “Isso significa que ela demanda tempo para cuidado. É muito mais do que um procedimento de um curativo, de um ferimento, de uma vacinação, que tem um tempo específico de duração.” O atendimento de saúde mental, tanto pode ser breve, dependendo da demanda dos usuários, do paciente, quando ele pode se estender. Não há como saber quanto tempo vai demorar. “Não tem como prever com exatidão quanto tempo esse atendimento vai durar. Quando começamos um atendimento de saúde mental, é uma incógnita”, calcula o profissional.
Setembro Amarelo
O encontro desta quarta-feira marca o início da programação municipal voltada ao Setembro Amarelo, campanha que visa conscientizar a sociedade sobre a importância da prevenção ao suicídio e da promoção de saúde mental. A Secretaria da Saúde vai realizar outras ações ao longo do mês, envolvendo diferentes categorias de trabalhadores e buscando ampliar o debate para toda a rede.
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