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Rio Grande é contemplado no 1º Prêmio Rotas Negras com o projeto Caminhos Negros

04/03/2026

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O Município do Rio Grande foi contemplado no 1º Prêmio Rotas Negras, iniciativa do Ministério da Igualdade Racial (MIR) em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que reconhece e premia ações de afroturismo em todo o país.

A premiação integra o Programa Rotas Negras e selecionou 50 iniciativas em âmbito nacional, distribuídas entre as categorias Sociedade Civil, Municípios, Consórcios Intermunicipais e Estados, com valores entre R$ 15 mil e R$ 70 mil. O objetivo é fortalecer experiências que promovam a valorização da cultura afro-brasileira, a preservação da memória e o enfrentamento ao racismo estrutural por meio do turismo de base identitária.

A cidade do Rio Grande foi reconhecida por meio do projeto Caminhos Negros, iniciativa que identifica, mapeia e demarca espaços de importância histórica e simbólica da comunidade negra no Município. A proposta estrutura um circuito urbano de memória, evidenciando as marcas de pertencimento afrodescendente na formação da cidade.

O projeto foi concebido por Chendler Siqueira, coordenador da Coordenadoria Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Rio Grande, em articulação com professoras das redes federal, estadual e municipal e lideranças do Movimento Negro local. A iniciativa foi construída a partir da escuta comunitária, com participação popular na definição dos locais a serem sinalizados.

Para o coordenador, o reconhecimento nacional ressalta a importância da política pública construída de forma coletiva.

“Ter o nosso projeto, desenvolvido no interior do Rio Grande do Sul — um dos estados mais racistas da nação brasileira — reconhecido nacionalmente e premiado é motivo de imenso orgulho e satisfação. Esse projeto não nasce da mente de uma individualidade, mas de uma necessidade coletiva de resgatar histórias e memórias da população negra rio-grandina, que sequer a história oficial do Município dá conta de retratar e descrever em toda a sua importância", disse.

"Estamos falando das contribuições fundamentais da população negra na construção arquitetônica e sociocultural da cidade e do Estado. Esse reconhecimento confirma que estamos no caminho certo e reforça que outras iniciativas nesse sentido precisam sair do papel e ganhar as ruas, ganhar a materialidade da cidade. Só assim avançaremos para uma reparação efetiva e para a construção de uma sociedade minimamente justa e igualitária, que reconhece a sua história e também os seus erros", completou o coordenador.

O recurso de R$ 40 mil, conquistado na premiação, será destinado à instalação das placas externas que demarcam os caminhos, à produção de material gráfico informativo para distribuição nas escolas sobre os territórios negros do Município e à produção de um minidocumentário sobre o projeto.

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