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Dificuldade de acesso às residências compromete combate ao Aedes aegypti no município

17/03/2026

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O avanço dos focos do mosquito Aedes aegypti no município tem um fator central que preocupa as equipes de saúde: a dificuldade de acesso às residências. Casas fechadas, imóveis desocupados e a recusa de moradores em receber os agentes de combate às endemias têm impactado diretamente as ações de prevenção e controle.

De acordo com o 10º boletim epidemiológico, já são 154 focos identificados — 26 a mais em apenas uma semana. Para a superintendente da Vigilância em Saúde, Michele Meneses, esse aumento está diretamente ligado à resistência enfrentada pelas equipes no dia a dia.

“Temos encontrado muita dificuldade de acesso. Há moradores que não permitem o acompanhamento das armadilhas e até pedem a retirada delas, o que prejudica o monitoramento. Além disso, há muitas casas fechadas, principalmente em regiões como o Centro e a Cidade Nova, que acabam se tornando possíveis criadouros”, destaca.

A situação se agrava porque, mesmo com o uso de armadilhas como ovitrampas e Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), a entrada dos agentes nas residências é fundamental para identificar e eliminar focos que não são visíveis externamente.

A fiscal do Código de Posturas, Andrea Vallente, reforça que imóveis fechados também são responsabilidade dos proprietários. Segundo ela, casas desocupadas, especialmente de pessoas que possuem mais de um imóvel ou residem em outros bairros ou no Cassino, precisam de atenção regular.

“Mesmo fechado, o imóvel precisa ser cuidado. É importante que o proprietário vá até o local, verifique o pátio, caixas d’água, ralos e piscinas. Esses locais podem se tornar criadouros. Se preferir, pode entrar em contato com a Vigilância para agendar uma visita. O que não pode é esse imóvel ficar sem qualquer tipo de vistoria”, orienta.

Andrea também destaca que, muitas vezes, mesmo quando há notificação, a limpeza ocorre apenas de forma superficial. “O interior das casas, ralos e outros pontos acabam não sendo verificados, porque não temos acesso. Por isso, a colaboração dos proprietários é essencial”, completa.

Focos por localidade (total: 154):
Distrito Industrial: 36
Centro: 35
Quinta: 18
Cidade Nova: 14
Povo Novo: 08
Linha do Parque, Buchholz, Bolaxa e São Miguel: 05 cada
Aeroporto, Lar Gaúcho/Navegantes e Bernadeth: 03 cada
FURG Carreiros, Prado e Junção: 02 cada
Municipal, Cibrazém, Orla, Trevo, Vila Maria, BGV, Mangueira e Atlântico Sul: 01 cada

Focos nos últimos 30 dias:
Centro: 18
Distrito Industrial: 15
Quinta: 11
Cidade Nova: 10
Povo Novo: 08
Linha do Parque e Buchholz: 03 cada
Aeroporto e Lar Gaúcho/Navegantes: 02 cada
FURG Carreiros, Orla, Cibrazém, Atlântico Sul, Municipal, Bolaxa e Vila Maria: 01 cada

Até o momento, não há casos confirmados de dengue no município. Dos 28 casos suspeitos, 26 já foram descartados e dois seguem em análise. No Rio Grande do Sul, os casos confirmados também aumentaram, chegando a 257 nesta semana.

A Vigilância em Saúde reforça que o combate ao mosquito depende diretamente da participação da população. Receber os agentes de saúde, permitir o monitoramento e manter os imóveis — ocupados ou não — livres de água parada são medidas fundamentais.

Sem acesso aos imóveis, o enfrentamento ao mosquito fica comprometido — e o risco para toda a comunidade aumenta. A Vigilância disponibiliza o número 32337289 (somente WhatsApp) para denúncias e agendamentos de visitas.

Anexos
BOLETIM ARBOVIROSES SE10_26 (1)
3.2 MB
PDF

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