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Em audiência pública, Prefeitura defende que não haja pedágio no perímetro urbano de Rio Grande
17/03/2026
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Na tarde desta terça-feira (17), a Prefeitura do Rio Grande participou da audiência pública nº 4/2026, que trata da concessão do polo rodoviário que liga Rio Grande a Pelotas. A audiência aconteceu no auditório Dom Antônio Zattera, na Universidade Católica de Pelotas, e reuniu representantes dos municípios da zona sul do Estado, membros da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e agentes do Ministério dos Transportes.
O Executivo Municipal foi representado pelo vice-prefeito, Renatinho Gomes, e também por parte do secretariado municipal. Em sua fala o vice prefeito defendeu que não haja instalação de pedágios no perímetro urbano do município (Quinta e Povo Novo). O vice-prefeito destacou a importância do debate regional sobre o novo modelo de concessão.
“O Município está acompanhando de perto esse processo de discussão. Participamos da audiência em Porto Alegre junto com a prefeita Darlene e, agora, em Pelotas, reforçando a importância de ampliar esse debate, inclusive queremos levar a discussão para Rio Grande e realizar audiência pública. Precisamos garantir que o novo contrato traga melhorias reais, com tarifas justas, segurança e infraestrutura adequada, sem prejudicar a mobilidade da população, especialmente nos perímetros urbanos”, disse. “A gente segue trabalhando junto à bancada gaúcha, à Assembleia Legislativa e ao Governo Federal para que essas contribuições, construídas com a comunidade, sejam efetivamente incorporadas. Nosso objetivo é assegurar melhores condições de trafegabilidade e preservar vidas nas rodovias da região”, completou.
Entre os principais pontos defendidos pelo Município nas audiências públicas realizadas em Porto Alegre, no dia 16, e em Pelotas, estão a priorização das obras no Lote 4, a não implantação de praças de cobrança em áreas urbanas, principalmente no trecho entre Quinta e Povo Novo, a defesa de um cálculo tarifário que contemple todo o trecho entre Porto Alegre e Rio Grande, além da não aplicação de percentual adicional de 50% para caminhões.
Em defesa da Zona Sul
Os dois deputados eleitos pela região sul do Estado, o deputado federal Alexandre Lindenmeyer e o deputado estadual Halley Lino de Souza, também se manifestaram durante a audiência pública, criticando o modelo proposto e defendendo alternativas que considerem os impactos econômicos e sociais para a região.
O deputado federal Alexandre Lindenmeyer destacou os prejuízos históricos causados pelo modelo anterior de pedágio. Segundo ele, durante quase três décadas, a cobrança elevada comprometeu o desenvolvimento regional e impactou diretamente a competitividade logística do Estado. “O modelo de pedágio que vivemos por 28 anos dificultou o desenvolvimento econômico e social da nossa região. Não podemos mais conviver com uma proposta que repita essa lógica. É inadmissível, por exemplo, a cobrança em áreas urbanas, dividindo as nossas cidades”, afirmou.
O parlamentar também defendeu a priorização das obras do Lote 4 e sugeriu que o trecho seja retirado da concessão, executando a obra através de recursos públicos.
“Nós temos representatividade para dizer no Ministério que não queremos o Lote 4 na concessão, o que vai diminuir inclusive o custo do pedágio. E que a gente possa, com emenda de bancada, aportar em torno de R$ 100 milhões para executar a obra. Certamente o Ministério vai abraçar a ideia e a gente vai colocar isso em obra o quanto antes, com recursos do Orçamento Geral da União e emenda de bancada”, disse. O deputado também se colocou à disposição para articular uma agenda com o ministro dos Transportes, Renan Filho, para tratar do tema, além de ressaltar a importância de retomar a discussão em cidades onde o tema foi debatido há mais tempo.
Já o deputado estadual Halley Lino de Souza considerou o momento atual como decisivo. “Estamos diante de um momento histórico. A região foi duramente impactada por um dos pedágios mais caros do país, o que afetou diretamente empregos, o custo do transporte e o desenvolvimento econômico. A população não aceita mais ser prejudicada”, afirmou. Halley destacou, ainda, pontos técnicos a serem revistos na proposta, como o cálculo do volume médio diário de veículos, os custos operacionais e a composição da tarifa.
“É preciso reavaliar os critérios que compõem o valor do pedágio. Defendemos, por exemplo, que obras como as do Lote 4 e da ponte do Canal São Gonçalo sejam tratadas como responsabilidade do Governo Federal, sem impactar diretamente a tarifa. O modelo precisa ser justo. Não podemos admitir cobranças dentro das cidades, nem aumentos abusivos, como o percentual adicional para caminhoneiros", disse. O deputado também criticou o modelo de cobrança automática (free-flow), alertando para possíveis penalizações indevidas aos usuários.
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