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Seminário Centro + Vivo promove caminhada pela Rua Riachuelo e reforça debate sobre preservação e revitalização do Centro

Os participantes percorreram trechos da via observando fachadas, edificações e marcos urbanos que ajudam a contar parte importante da trajetória rio-grandina naquele local histórico.

26/03/2026

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Na programação do Seminário Patrimônio Vivo: Readequar, Valorizar e Desenvolver, realizado pela Prefeitura do Rio Grande em parceria com outras instituições, na manhã desta quinta-feira (26), houve uma caminhada guiada pela Rua Riachuelo, um dos mais importantes e simbólicos corredores históricos do Município. A atividade integra as ações do programa Centro + Vivo, voltado à valorização, reocupação e revitalização da área central da cidade.

Após a abertura oficial do seminário, no auditório da Alfândega da Receita Federal, os participantes se dividiram em grupos para percorrer trajetos históricos da área central da cidade. Um dos roteiros mais emblemáticos foi o da Rua Riachuelo, espaço de grande relevância para a formação urbana, econômica, cultural e social do Rio Grande, desde os primeiros anos da cidade, fundada em 1737.

Durante cerca de duas horas, o grupo percorreu trechos da via observando fachadas, edificações e marcos urbanos que ajudam a contar parte importante da trajetória rio-grandina. Ao longo do percurso, os participantes puderam conhecer imagens históricas, relatos e interpretações sobre as transformações sofridas pela rua ao longo dos séculos, comparando o patrimônio ainda preservado com estruturas que foram descaracterizadas, modificadas ou perdidas com o passar do tempo.

Memória viva da cidade

A caminhada foi coordenada pela arquiteta e urbanista Eliza Antochevis, pesquisadora da história urbana local e autora da tese de doutorado Modulações do Tempo: Rua Riachuelo – Ascensão, Declínio e Patrimônio, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Conforme Eliza, o estudo teve como ponto de partida a necessidade de aprofundar o olhar sobre um espaço específico do Centro Histórico e compreender os processos que levaram às mudanças em sua paisagem urbana.

Ela diz que “a Rua Riachuelo foi escolhida por sua relevância para a cidade, por sua paisagem e também pelo processo de descaracterização que sofreu ao longo do tempo”. A ideia, afirma, foi investigar por que isso aconteceu, o que ainda existe desse valor histórico e cultural e como essa memória pode ser mantida e valorizada”. Ela destaca que, mesmo com perdas e alterações, ainda há um patrimônio significativo preservado ao longo da rua e quando se começa a pesquisar e observar fotografias e cartões-postais antigos, percebe-se que muito ainda existe. “Houve perda de ornamentos e descaracterizações, mas ainda permanecem fachadas, paredes e edificações do século XIX. É uma rua com imenso potencial histórico, turístico e paisagístico”, afirmou.

A arquiteta também lembrou que a Rua Riachuelo já foi uma das principais portas de entrada da cidade e do Estado. “Tudo de mais importante passava por aqui. Inclusive, D. Pedro II aportou no local. Por isso, é uma região que precisa continuar sendo pensada como espaço de memória, de circulação, de convivência e também de novas possibilidades de uso”. 

Revitalização urbana

Ao longo do percurso, também foram debatidas as possibilidades de ampliação do uso da Rua Riachuelo a partir da revitalização já realizada na via, com melhorias em infraestrutura urbana, pavimentação e mobilidade. Na avaliação da pesquisadora, a requalificação do espaço abre caminho para novas iniciativas que fortaleçam a ocupação da rua. Entre elas, ações de incentivo à moradia, ao comércio, ao turismo, ao esporte e à realização de atividades culturais permanentes.

“A rua tem potencial para ser mais utilizada em sua totalidade. Há museus, há patrimônio edificado, há espaço para caminhadas, corridas e circulação de pessoas. Eventos como o Festimar também ajudam a reconectar a população com esse território e com a história da cidade”, observou. 

Memórias afetivas e renovação

A caminhada também despertou lembranças e reflexões em quem viveu ou acompanhou de perto diferentes fases da Rua Riachuelo. Entre os participantes estava Suraya Saad, moradora histórica da região, que compartilhou sua emoção ao revisitar o local onde nasceu, há 70 anos.

Em frente à casa onde viveu parte de sua infância, ela contou que “é como se fosse um filme passando pela minha cabeça; em cada pedra que eu piso, vêm memórias da infância, da adolescência e de boa parte da vida vivida aqui. É uma rua maravilhosa, carregada de história”, relatou. Para ela, a valorização do Centro Histórico depende de políticas públicas e de ações que incentivem a recuperação e a ocupação dos imóveis preservados. “Esperamos que iniciativas como essa possam trazer uma luz no fim do túnel e estimular um novo olhar para essa parte tão importante da cidade”, disse.

Preservar a cidade

A secretária-adjunta da Secretaria de Município da Cultura e Economia Criativa (SMCEC), Janice Hias também acompanhou o roteiro e destacou a importância de iniciativas que aproximem a população da história urbana do Rio Grande. Conhecer a trajetória da Rua Riachuelo, afirmou a gestora, é também compreender os ciclos que marcaram o desenvolvimento da cidade. “As transformações dessa rua retratam as mudanças que aconteceram em Rio Grande ao longo do tempo. São ciclos econômicos, sociais e urbanos que se refletem diretamente nesse espaço”.

Janice destacou que momentos como esse ajudam a fortalecer o sentimento de pertencimento e a consciência sobre a preservação do patrimônio. “Quanto mais conhecemos a nossa história, a nossa memória, a nossa cultura e as pessoas que viveram esses espaços, mais nos identificamos com eles e mais vontade tem de se preservar. É uma oportunidade importante de refletir sobre a cidade que temos e sobre a cidade que queremos construir”, completou.

Seminário segue nesta sexta-feira

O Seminário Patrimônio Vivo: Readequar, Valorizar e Desenvolver prossegue nesta sexta-feira (27), no auditório da Alfândega, reunindo especialistas, gestores públicos, pesquisadores e comunidade para debater caminhos voltados à preservação do patrimônio histórico, à reocupação do Centro e à valorização da identidade urbana do Rio Grande.

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