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Seminário Centro + Vivo debate patrimônio cultural, participação social e direito à cidade

Discussões tiveram a participação da comunidade acadêmica, especialistas no assunto, gestores públicos, representantes de instituições e da comunidade para refletir sobre os desafios e as possibilidades de revitalização do Centro Histórico.

27/03/2026

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O processo de valorização do patrimônio cultural de Rio Grande, aliado à participação da sociedade e à discussão sobre o direito à cidade, esteve em destaque durante uma das mesas de debates do Seminário Centro + Vivo, realizado pela Prefeitura do Rio Grande e instituições parceiras, no auditório da Alfândega da Receita Federal. O diretor do Instituto do Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul (IPHAE), Renato Savoldi, e a secretária de Município da Cultura e Economia Criativa, Rita Rache, palestraram na quinta-feira (27) à tarde. Rita integrou a mesa em substituição ao coordenador de Políticas de Inclusão Racial, Chendler Siqueira, impossibilitado de comparecer.

Durante sua participação, Renato Savoldi destacou que o Rio Grande já se encontra em estágio avançado no debate e na estruturação de políticas públicas voltadas à preservação do patrimônio cultural. Disse que o Rio Grande já desenvolve ações importantes nesse campo, mas precisa seguir aprofundando o processo de atualização e qualificação de seus instrumentos de planejamento. “O município já vem fazendo a sua parte há bastante tempo. O que é necessário agora é um reolhar, uma reavaliação do inventário cultural rio-grandino, trazendo isso novamente para o debate e para a discussão dentro das novas perspectivas do patrimônio material e imaterial”, afirmou.

Savoldi também ressaltou que a elaboração de políticas consistentes para a área exige integração entre patrimônio, urbanismo, desenvolvimento e mudanças climáticas, além de ampla participação popular. A construção de um plano efetivo depende de envolvimento social contínuo, afirmou, acrescentando que “a cultura não existe sem participação social". Savoldi frisou que  todas as comunidades, grupos sociais e grupos culturais precisam se envolver com esse debate e é isso que garante que a política pública dialogue com a realidade do território. 

Patrimônio e desenvolvimento
Ao abordar a importância do patrimônio cultural para o município, o diretor do IPHAE destacou que Rio Grande reúne bens, práticas e expressões que constituem sua identidade e que, em muitos casos, existem apenas no território local, como a jerupiga, bebida tradicional produzida por produtores artesanais do Rio Grande. Ele citou como exemplo saberes e manifestações tradicionais que precisam ser reconhecidos, preservados e fortalecidos.

A avaliação, conforme explicou, é de que o patrimônio cultural deve ser entendido não apenas como memória, mas também como um ativo social, simbólico e estratégico para o desenvolvimento da cidade.

Direito à cidade

Na mesma mesa, a secretária de Município da Cultura e Economia Criativa, Rita Rache enfatizou que pensar um “centro mais vivo” exige considerar a pluralidade de histórias, grupos sociais e territórios que constituem o Rio Grande, especialmente aqueles que foram historicamente invisibilizados, como a população negra. Rita afirmou que a proposta do debate foi justamente ampliar a compreensão sobre o Centro Histórico, levando em conta as disputas simbólicas e materiais em torno da ocupação e do uso da cidade. 

“Se vamos discutir um centro mais vivo, a gente vai ter que falar sobre as histórias desse Centro Histórico e dos grupos sociais que transitam por ele. Também precisamos refletir sobre quem tem direito à cidade (e todos têm) e como determinados grupos, ao longo do tempo, foram invisibilizados ou negligenciados”, pontuou. Rita observou ainda que os ciclos econômicos e os processos de transformação urbana influenciaram diretamente a configuração da cidade e do  Centro Histórico. No entanto, ela destacou que a economia não pode ser o único critério para pensar o futuro do Município.

“A economia tem um papel fundamental na constituição da cidade, mas ela não pode ser o único balizador da nossa compreensão sobre ela. A cidade é viva e precisa ser pensada também a partir da sua diversidade sociocultural, dos modos de vida e do direito de diferentes grupos continuarem ocupando e construindo esses espaços”, disse a secretária.

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