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Estudantes visitam o Horto no Povo Novo em busca de conhecimento para desenvolver horta na escola
Foi a primeira vez que os alunos estiveram no local e conheceram plantas e sementes nunca antes vistas por eles. A expectativa da escola é que outras turmas façam essa visitação em outras oportunidades.
28/04/2026
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Uma tarde de aprendizados no horto municipal localizado no Povo Novo. Essa foi a proposta com a visita guiada oferecida para estudantes de três turmas do 8º ano da Escola Municipal João de Oliveira Martins, do bairro Castelo Branco no Rio Grande. Acompanhados da professora de Artes, Sílvia Sartori e da coordenação da escola, eles foram ao local adquirir mais conhecimentos para um projeto que está sendo desenvolvido na instituição, denominado “Do horto à horta”. A partir desse aprendizado, eles participarão de oficinas com objetivo de implantar uma horta dentro da própria escola.
Foi a primeira vez que os estudantes visitaram o horto municipal. Muitos ficaram fascinados com a variedade de plantas disponibilizadas para doação no local, mas também com o que foi apresentado pelo produtor e guardião de sementes crioulas, Alaor Bortola, 79 anos. Ele esteve no horto a convite do secretário-adjunto da Secretaria da Agricultura e Pecuária, Cledenir Mendonça, para mostrar parte do que planta em sua propriedade de quatro hectares. Seu Alaor produz vários tipos de feijão, muitos dos quais não eram conhecidos pelo grupo de estudantes, como a semente de cúrcuma. Além da variedade de feijão, ele planta batata-doce, alho e cebola, entre outras culturas, há mais de 50 anos na região do Povo Novo.
O produtor disse que, todos os dias, pega a enxada e cedo vai para o campo trabalhar a terra. “É um prazer fazer o que faço. Lidar com sementes crioulas não tem o objetivo de lucro, mas passar o conhecimento do que nos foi ensinado para outras gerações.” Desde 2015, com vínculo à Associação dos Guardiões de Sementes Crioulas do Rio Grande, o produtor passou a plantar cerca de dez variedades de feijão.
Do horto à horta
Também envolvida com a temática agrícola e incentivadora da atividade, a professora de Artes, Sílvia Sartori disse que a visita integra o projeto “Do horto à horta”, desenvolvido na escola. O objetivo é proporcionar aos estudantes o contato direto com o horto, compreendendo seu funcionamento e conhecendo diferentes espécies de plantas, como etapa preparatória para a implantação de uma horta escolar.
Sílvia citou que a maioria dos alunos não conhecia o espaço nem algumas das espécies apresentadas, o que despertou curiosidade e interesse durante a atividade. A professora também enfatizou a importância do aprendizado sobre sementes crioulas e afirmou que a experiência contribui para ampliar o conhecimento dos estudantes. Participaram da visita 36 alunos, das turmas de 8º ano A, B e C, e a expectativa é de que outras turmas também possam participar futuramente.
Doações de mudas
Atualmente, o horto produz 33 espécies de plantas, sendo sete florísticas, 14 frutíferas, 10 espécies nativas e duas medicinais. No local encontram-se mudas de hortênsia, pau-brasil, ipê roxo e amarelo, cânfora, bougainville, aroeira, pitanga, goiaba, araçá, laranjeira, nogueira, bergamoteira, ameixa, abacate e uva. A partir de segunda-feira (4), o horto estará aberto para doações, com limite de cinco mudas por pessoa, por CPF, explicou o adjunto da SMAP. Acima de 50 mudas, é necessário apresentar projeto à Secretaria de Agricultura e Pecuária para análise.
Horto Roberto Duhá
Especialista em sementes crioulas e com publicações sobre a história da agricultura familiar na região, o secretário-adjunto Cledenir Mendonça explicou que o Horto Municipal Roberto Duhá tem origem na década de 1930, quando a área era utilizada para o cultivo de amoreiras destinadas à criação do bicho-da-seda, vinculada ao desenvolvimento industrial local. Já na década de 1940, com a criação da Secretaria da Agricultura do Rio Grande, o espaço passou a sediar uma importante experiência de pesquisa com oliveiras, sendo considerado o segundo horto de pesquisa dessa cultura no Brasil.
Mendonça disse que, ao longo do tempo, o local também contribuiu para a arborização urbana, com o plantio de oliveiras em diferentes pontos da cidade, além de fomentar a produção na zona rural, fazendo com que a cidade fosse conhecida, à época, como a “Cidade das Oliveiras”. Com a redução dos investimentos na cultura, o horto foi gradualmente direcionado à produção de mudas para doação e apoio a agricultores. Atualmente, o espaço mantém sua relevância como área de preservação ambiental e produção de espécies arbóreas, frutíferas, nativas, paisagísticas e medicinais, além de iniciativas educativas, como o “Relógio do Corpo humano”, baseado na filosofia chinesa e voltado ao uso de plantas medicinais em diferentes horários do dia.
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