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Rio Grande reúne universidades, governos e setor produtivo para debater projeto inédito de energia eólica offshore no Brasil

Rodolfo Gonçalves, CEO da empresa japonesa JB Energy, sintetizou a importância estratégica da Região Sul gaúcha para o futuro do setor no país, quando disse: “o Rio Grande do Sul vai ser o berço do offshore wind no Brasil”.

08/05/2026

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O município do Rio Grande sediou, na tarde desta quinta-feira (7), no Salão Nobre Deputado Carlos Santos, da Prefeitura Municipal, a apresentação da etapa atual do projeto Aura Sul Wind, considerado um dos mais inovadores empreendimentos de energia renovável em desenvolvimento no país. Liderado pela empresa japonesa JB Energy, o projeto piloto prevê a instalação da primeira plataforma flutuante de energia eólica offshore em concreto do Brasil. Entre os envolvidos com o projeto, que reúne cerca de 35 parceiros, estão universidades, governos -  federal, estadual e a Prefeitura Municipal -, sindicatos, indústrias, Portos RS, Marinha do Brasil, entre outras instituições nacionais e internacionais. Todos estavam presentes na reunião desta tarde no Paço Municipal.

O encontro foi realizado pela empresa JB Energy em parceria com a Prefeitura Municipal, governos estadual e federal e a Furg, reunindo pesquisadores, professores, representantes da sociedade civil, autoridades municipais, estaduais e federais, além de integrantes do setor portuário, industrial e acadêmico, reforçando o caráter colaborativo do empreendimento. A iniciativa foi destacada como estratégica para a transição energética, para o desenvolvimento sustentável e para a retomada do protagonismo industrial da região Sul do Estado, especificamente no município do Rio Grande.

Na abertura do evento, o secretário de município do Meio Ambiente, Antônio Carlos Soler, que representou a prefeita Darlene Pereira, ressaltou a importância da construção coletiva do projeto e da participação integrada dos diferentes setores da sociedade. Disse que o desenvolvimento do empreendimento ocorre “baseado na técnica e, fundamentalmente, com a participação da sociedade civil e de todos os órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente”. Soler acentuou que a transição energética é um tema essencial para o futuro e que debates como o realizado no Rio Grande são fundamentais para garantir soluções sustentáveis e socialmente responsáveis.

“É muito importante construir momentos como esse, onde quem busca o licenciamento ambiental senta junto com a academia, com a sociedade e com os órgãos ambientais dos governos municipal, estadual e federal para discutir questões econômicas, ambientais e sociais, permitindo que o projeto aconteça dentro da legalidade, da sustentabilidade e da justiça social”, afirmou o gestor municipal. Ele destacou que o Executivo acompanha desde o início as tratativas relacionadas ao licenciamento ambiental do projeto e que o diálogo entre empresa, comunidade científica e órgãos públicos é fundamental para prevenir impactos e buscar soluções baseadas na ciência.

O CEO da JB Energy, professor e doutor em Engenharia, Rodolfo Gonçalves, que na véspera havia se reunido com a prefeita Darlene Pereira, fez uma ampla apresentação sobre o projeto Aura Sul Wind e abordou sobre o potencial estratégico dos três municípios da região - Rio Grande, São José do Norte e Pelotas - para o desenvolvimento da nova cadeia produtiva da energia eólica offshore no país. O projeto representa o início da construção de uma nova indústria nacional, capaz de gerar milhares de empregos e movimentar diversos setores da economia regional, disse o CEO.

“Estamos iniciando a criação de uma nova indústria offshore wind envolvendo a academia, os governos e a própria indústria local”, afirmou, considerando esse como o tripé fundamental para que o projeto tenha êxito. Um projeto dessa magnitude não se faz sozinho, na visão do CEO.
Na opinião do CEO da JB Energy, a Região Sul do Estado reúne características únicas para liderar o desenvolvimento do setor no Brasil.

Entre os fatores citados estão a infraestrutura portuária já consolidada nos três municípios da região, a experiência regional acumulada na indústria naval e de óleo e gás, a presença de estaleiros, a cadeia produtiva do concreto e do pré-moldado, além da forte presença acadêmica, com universidades e centros de pesquisa reconhecidos nacionalmente.

“O Rio Grande do Sul se preparou para isso. Existe infraestrutura portuária diferenciada, universidades públicas e privadas, centros tecnológicos e uma base industrial que já possui experiência em grandes estruturas offshore. Tudo isso cria um ambiente extremamente favorável para o desenvolvimento dessa nova indústria”, avaliou.

Também foi citado o potencial energético da região, afirmando que os fatores de geração eólica no Rio Grande estão acima da média mundial, tornando o empreendimento ainda mais competitivo. A estrutura prevista para o projeto chama atenção pela dimensão. A plataforma flutuante será construída em concreto, com aproximadamente 11 mil metros cúbicos de cimento e altura equivalente a um prédio de 11 andares. A turbina terá capacidade de 18,5 megawatts e o empreendimento é considerado inédito em escala mundial.

Revitalização portuária

Rodolfo Gonçalves explicou que a escolha pelo modelo flutuante traz vantagens ambientais e operacionais importantes, permitindo a instalação em áreas mais afastadas da costa, reduzindo impactos sobre a pesca artesanal, o turismo e o meio ambiente. Outro ponto destacado foi o potencial de geração de empregos. Conforme o CEO, a expectativa inicial é a geração de pelo menos 5 mil empregos diretos e indiretos, dentro de toda a cadeia envolvida, até a conclusão do projeto piloto e o avanço das futuras fases comerciais.

Ele também ressaltou que a iniciativa poderá representar uma revitalização da infraestrutura já existente na região, especialmente após o ciclo do Polo Naval. “Essa indústria já existia, essa infraestrutura já está aqui na região. O que estamos fazendo é revitalizar isso com um novo tipo de empreendimento”, afirmou.

Medições em outubro

O projeto prevê ainda o início das medições meteorológicas e oceanográficas a partir de outubro deste ano, com monitoramento em tempo real de vento, ondas e correntezas. Os dados serão compartilhados com universidades e centros de pesquisa, integrando o sistema SIMCosta, da FURG.

Representando o Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climáticas (MMA), o analista de Infraestrutura, Ricardo Voivodic disse que o projeto representa uma oportunidade histórica para o país planejar de forma antecipada uma nova matriz energética baseada em energia limpa e renovável. Diferentemente de outros ciclos econômicos nacionais, como o das hidrelétricas e do petróleo e gás, “desta vez o Brasil tem a oportunidade de discutir previamente os impactos socioambientais e construir soluções planejadas, evitando conflitos futuros e garantindo segurança jurídica aos empreendimentos”.

Voivodic ressaltou, também, a importância do planejamento espacial marítimo, do diálogo com as comunidades e do apoio da academia para garantir um modelo de desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente adequado. Pela primeira vez, disse, “temos a oportunidade de antecipar conflitos, analisar experiências internacionais e estruturar um planejamento adequado antes da implantação em larga escala”.

Pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), o subsecretário de Infraestrutura, Cristian Duarte, destacou o apoio do Governo do Estado ao projeto e enfatizou o impacto econômico esperado para a Metade Sul. Para ele, a iniciativa deverá impulsionar geração de empregos, renda e movimentação econômica em Rio Grande, São José do Norte e municípios vizinhos. “A escolha do Rio Grande do Sul para receber esse projeto nos traz muita felicidade, principalmente pela geração de emprego e renda que ele poderá proporcionar”, disse.

O encontro contou ainda com a participação online do representante do Consulado do Japão em Porto Alegre, Naoki Sasahara, que abordou o tema “Transferência de Tecnologia: Japão e Brasil”.

Também foram realizadas palestras técnicas com especialistas relacionadas ao projeto Aura Sul Wind. Ricardo Voivodic (MMA) falou sobre “A importância da questão socioambiental no offshore wind”; Milton Asmus e Ella Pereira, da FURG, apresentaram “O papel da FURG e do SIMCosta no licenciamento ambiental”; Kayo Soares, da Arvut, abordou os “Estudos para o termo de referência TR-Ibama”; Alessander Kormann, da FUGRO, tratou das “Medições meteoceanográficas e estudos geofísicos”; Thomaz Xavier, da JB Energy, apresentou o tema “Engajamento com as comunidades”; e Henrique Ilha, da Portos RS, falou sobre “O papel do Rio Grande no offshore wind”.

Entre os parceiros envolvidos no projeto estão instituições como FURG, UFRGS, UFSM, UNISINOS, USP, UFSC, UFRJ, Portos RS, Marinha do Brasil, Prefeitura do Rio Grande, Sindenergia, Sinduscon, Estaleiro EBR, Estaleiro Rio Grande e parceiros japoneses, formando uma ampla rede de cooperação científica, tecnológica e institucional voltada ao desenvolvimento da energia eólica offshore no Brasil.

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