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1º Workshop de Meio Ambiente do Rio Grande reúne diferentes setores da sociedade para discutir as emergências climáticas
21/05/2026
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Rio Grande recebeu, nesta quinta-feira (21), um evento específico para debater o atual contexto da crise climática e seus impactos diretos em nossa sociedade. O 1º Workshop de Meio Ambiente reuniu, na Câmara de Comércio, representantes de organizações governamentais e fiscalizadoras, Defesa Civil, academia, iniciativa privada, entre outros, para um diálogo sobre a atual emergência climática, as ações desenvolvidas, boas práticas e possíveis soluções para a temática. A atividade é uma promoção da empresa Wilson Sons, em parceria com a Prefeitura do Rio Grande, Fepam, Ibama, Portos RS e Câmara do Comércio.
O vice-prefeito e coordenador da Defesa Civil, Renatinho Gomes, compôs a mesa de abertura e destacou a oportunidade da troca de experiências, especialmente no contexto local, uma vez que Rio Grande é uma cidade muito sensível para novas enchentes pela proximidade com a Lagoa dos Patos. Também comentou que tem acompanhado os estudos sobre a possibilidade de grandes impactos do El Niño neste ano.
“A ciência tem nos trazido a preocupação de um El Niño muito forte no segundo semestre, isso nos preocupa bastante. Então esse evento é muito oportuno para que a gente possa debater e termos toda a atenção para as mudanças climáticas. Precisamos estar planejados e integrados, principalmente”, ressalta.
O diretor-presidente do Tecon Rio Grande, Paulo Bertinetti, reforçou a relevância de reunir diferentes setores para buscar melhores soluções para a região, ressaltando que a crise climática é uma realidade. “Estamos em uma região bastante exposta, pela proximidade com o Polo Sul. Temos esse diferencial importantíssimo para a economia do nosso estado, que é o nosso Porto, a gente precisa realmente ter uma atenção com as questões climáticas. Então espero que possamos ter um conhecimento maior, com ações de mitigação, de melhoria”, comenta.
Para o secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Antonio Soler, o 1º workshop é muito importante não só por reunir os órgãos do sistema nacional do meio ambiente e outros relevantes para o cenário, mas também por tratar de um tema fundamental atualmente, que é a emergência climática.
“Nós precisamos cada vez mais reunir a sociedade, preparar os governos municipais, estaduais e federal, e também o setor privado, para que possamos enfrentar em conjunto esse contexto. Não é possível ,isoladamente, que os governos ou alguma outra estrutura privada consigam fazer frente a isso. Só poderemos enfrentar isso à altura com a articulação em rede, em cooperação. Então esse evento permite que a gente reúna diversos setores para pensar estratégias”, afirma.
Palestras
O primeiro painel do evento, nomeado “Emergência Climática” foi ministrado pela analista ambiental do Ibama, Marlova Intini. Ela destacou que, no contexto do uso do solo, 91% das emissões estão vinculadas aos desmatamentos, demonstrando “que tipo de política pública é necessária para enfrentarmos a realidade”. Também comentou sobre o trabalho do Ibama, especialmente quanto à fiscalização. “ A fiscalização ambiental, hoje, é a principal ferramenta de controle, o principal agente na redução das emissões. Essa é a principal contribuição do Ibama para a mitigação das mudanças climáticas”, conta.
Além disso, ela comentou sobre três grandes eventos de emergência climática que ocorreram entre 2023 e 2024: a seca extrema no estado do Amazonas; as queimadas no Pantanal; e as enchentes no Rio Grande do Sul. Conforme a analista, todos os fenômenos meteorológicos estão relacionados com a incidência do El Niño, enfatizando o quanto é importante a preparação para o cenário previsto para este ano.
Em seguida, o evento teve a participação do diretor presidente da Fepam, Renato Silva, e do diretor técnico Gabriel Ritter, que abordaram a “Resiliência Climática e Práticas de Adaptação”. Sobre a temática, eles comentaram sobre a atuação do órgão na resposta ao desastre climático no RS em 2024, com publicação de portarias específicas, a elaboração de um plano de contingência emergencial para o setor, assim como a criação do plano de gerenciamento de resíduos sólidos de enchentes e de uma cartilha de orientações sobre o tema.
Também contaram da participação em evento internacional, nos Estados Unidos, sobre recuperação resiliente, e a respeito do trabalho com empreendimentos licenciados junto à Fepam para a preparação em caso de desastres futuros.
Sobre a crise de 2024, ainda explicaram que ocorreram quatro eventos distintos e simultâneos: a enxurrada na região dos Vales; a inundação na região metropolitana; os mais de 16 mil deslizamentos de terra na Serra, e o apagão digital, já que os centros de dados do estado foram atingidos.
“Essa tragédia também oferece a oportunidade de pensarmos nas cidades, com essa nova realidade climática que se impõe, investido em infraestrutura, drenagem, sistema de proteção e alerta. E se pensarmos em alertas, precisamos de uma Defesa Civil forte, com dados precisos. Por isso, eventos como o de hoje são fundamentais para que o povo gaúcho não esqueça do que aconteceu, não podemos deixar de dar importância a uma melhoria contínua na nossa infraestrutura”, diz o diretor Silva.
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