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Fórum debate enfrentamento às violências contra crianças e adolescentes no Rio Grande
O evento continua nesta sexta-feira (29), com debates e grupos de trabalho voltados à construção coletiva do Plano Municipal de Enfrentamento às Violências contra Crianças e Adolescentes.
29/05/2026
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No ano passado, um crime no Rio Grande do Sul chocou o país. Um homem de 36 anos, foi acusado de cometer um crime vitimando mais de 700 pessoas na faixa de 8 e 13 anos de idade, por quase duas décadas. Ele foi considerado o maior predador sexual do estado. Conforme investigado, o agressor aliciava adolescentes e meninas de forma virtual e presencial. O caso foi considerado como estupro de vulnerável e produção/armazenamento de pornografia infantil. Na noite desta quinta-feira (28), esse exemplo de crime foi um dos tantos apresentados durante a abertura do Fórum do Plano Municipal de Enfrentamento às Violências de Crianças e Adolescentes, ação realizada na Câmara de Vereadores do Rio Grande.
A presidenta do Comitê Municipal de Gestão Colegiada da Rede de Cuidado e Proteção Social, Sílvia Barreto Soares conduziu a abertura do fórum. O encontro teve a participação da prefeita Darlene Pereira e de representantes de diversos segmentos ligados à proteção da infância e adolescência, como a Brigada Militar, Polícia Civil, Ministério Público, Defensoria Pública, Furg, Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente - Comdica e secretarias municipais do governo.
Promovido pelo comitê Municipal de Gestão Colegiada da Rede de Cuidado e Proteção Social de Crianças e Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de Violência - CVTV Proteção, em parceria com a Prefeitura do Rio Grande e o Comdica, o objetivo do encontro é concluir e aprovar, com participação da comunidade, o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência contra Crianças e Adolescentes, além de ampliar a visibilidade das ações desenvolvidas pelo comitê e fortalecer a articulação da rede de proteção no município.
Na abertura, Sílvia Barreto agradeceu o envolvimento das instituições parceiras, apoiadores e integrantes da comissão organizadora, ressaltando o caráter coletivo da construção do plano. Em sua fala, alertou que o enfrentamento às violências exige responsabilidade compartilhada entre diferentes áreas e setores da sociedade. Ela falou sobre a importância de romper com naturalizações e silenciamentos em torno das violências sofridas por crianças e adolescentes. De acordo com Sílvia, o enfrentamento exige coragem para reconhecer limites institucionais, rever práticas e construir fluxos reais de proteção.
A prefeita Darlene Pereira também ressaltou a importância da união entre poder público e sociedade civil para a construção de políticas efetivas de proteção e elogiou o trabalho desenvolvido pelo comitê e o envolvimento coletivo na elaboração do plano municipal. Disse que “quando vemos um espaço tão diverso reunido para discutir esse tema, percebemos que estamos caminhando coletivamente, com muito mais força, em busca de alternativas para enfrentar um problema tão sério”.
Palestra
Após a abertura, o perito criminal e coordenador do Núcleo de Combate à Pedofilia e ao Abuso Infantojuvenil (Nucope), Marcelo Nadler, ministrou a palestra “Os impactos da violência no desenvolvimento infantil”. A explanação foi um dos momentos mais impactantes da noite e trouxe dados, relatos e alertas sobre crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes, especialmente no ambiente virtual.
Durante a palestra, o perito relatou casos investigados pelo núcleo especializado e trouxe o exemplo de que um único criminoso chegou a fazer mais de 700 vítimas no Rio Grande do Sul. Os crimes de abuso e exploração sexual infantil têm aumentado com o uso indiscriminado de celulares e redes sociais sem supervisão adequada de pais ou responsáveis. Para o perito, quem mais tem contribuído para o aumento desse tipo de crime é a câmera fotográfica dos aparelhos celulares, disponível para as vítimas desses criminosos sem que os pais ou responsáveis percebam o uso delas.
Ele alertou para a gravidade do consumo desse tipo de conteúdo na internet, pois existe uma vítima real por trás de cada imagem compartilhada. Há necessidade de maior vigilância familiar sobre o uso de dispositivos eletrônicos por crianças e adolescentes, disse. Ele acredita que muitos responsáveis desconhecem os riscos presentes nos ambientes digitais e acabam não percebendo sinais de aliciamento ou violência.
Marcelo Nadler alertou que muitos abusadores utilizam aplicativos, jogos online e redes sociais para se aproximar das vítimas, ganhar confiança e praticar crimes de manipulação, aliciamento e exploração sexual. Ele explicou que a violência sexual não acontece apenas de forma física, mas também virtual, através da produção e compartilhamento de imagens e vídeos envolvendo crianças e adolescentes.
Outras manifestações
A representante da Polícia Civil, delegada Alexandra Sosa, falou sobre os avanços no atendimento às vítimas e a necessidade de evitar a revitimização de crianças e adolescentes durante os processos de investigação. Ela destacou a importância do Centro de Atendimento Integrado (CAI) como referência na integração dos serviços de acolhimento. Já a presidenta do COMDICA, Daiane de Lacerda disse que momentos como o fórum fortalecem a articulação da rede e contribuem para a construção de estratégias mais efetivas de proteção.
As secretárias municipais de Educação, Cleuza Dias, e de Assistência Social e Direitos Humanos, Dianelisa do Amaral, também se manifestaram. Assim como a prefeita, Cleuza comentou sobre a importância do trabalho coletivo e da integração entre diferentes setores na defesa das crianças e adolescentes. Por sua vez, a secretária Dianelisa trouxe para reflexão o papel da assistência social no atendimento às vítimas de violência, chamando a atenção para a necessidade de discutir, ainda, as desigualdades raciais e de gênero presentes nesses contextos. Ela justificou que o enfrentamento às violências precisa considerar que as crianças negras e as meninas estão entre as maiores vítimas dessas violações.
Além da prefeita Darlene Pereira e da presidenta do Comitê Municipal, integraram a mesa de abertura o defensor público do Estado, Lucas Moreira, o vice-reitor da FURG, Ednei Gilberto Prime, a delegada Alexandra Sosa e a presidenta do Comdica, Daiane de Lacerda.
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