Notícias
Inventário aponta setor de transportes como principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no Rio Grande
“A elaboração do estudo representa um marco para o Município, pois a partir desse diagnóstico será possível definir metas, monitorar resultados e avaliar a efetividade das políticas públicas implementadas”.
17/06/2026
Compartilhe esse conteúdo:
Compartilhe:
O setor de transportes é atualmente a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa (GEE) no município do Rio Grande. A informação foi apresentada durante a reunião ordinária do Comitê Municipal de Mudanças Climáticas (CMMC), realizada na tarde desta quarta-feira (17), no Salão Nobre Deputado Carlos Santos, na Prefeitura Municipal. Esse dado integra o Inventário de Gases de Efeito Estufa elaborado pelo GPEA - Grupo de Pesquisa em Economia Azul - da Furg em uma parceria com a Secretaria de Município do Meio Ambiente (SMMA). O estudo foi apresentado aos integrantes do Comitê e servirá de base para a elaboração do Plano de Ação Climática do Município.
O inventário é um trabalho coordenado pelo pesquisador e professor de Economia da Furg, Gibran Teixeira, do GPEA. Ele apresentou o levantamento com dados de 2023, que deverão ser atualizados com informações dos anos seguintes e disponibilizados até o final de agosto deste ano. Os dados permitem compreender o perfil das emissões no Rio Grande e identificar os setores que exigem maior atenção nas estratégias de mitigação e adaptação climática. O estudo mostrou que o setor de transportes concentra a maior parcela das emissões locais, resultado diretamente relacionado ao intenso fluxo de veículos de todos os tipos na cidade. O pesquisador explicou que o levantamento seguiu metodologias reconhecidas internacionalmente e permitiu identificar o perfil das emissões de gases de efeito estufa no Rio Grande, a partir da análise de diferentes setores da economia e das atividades desenvolvidas no Município.
Outra informação sobre a emissão de gases de efeito estufa com relação direta ao setor de transportes é que o Rio Grande neutraliza 53% das suas emissões. Dentro da matriz energética rio-grandina e também de análises setoriais, o pesquisador afirma que há elementos que acabam gerando um volume de emissões maior do que o Município neutraliza, mesmo tendo banhados, marismas, restingas arbóreas e planícies costeiras, ou algum tipo de árvores e vegetação. “Com toda a preservação que temos, ainda não conseguimos neutralizar mais, principalmente pela questão do transporte.” De acordo com Gibran, o levantamento fornece informações fundamentais para a elaboração do Plano de Ação Climática do Município, que deverá reunir estratégias voltadas tanto à mitigação das emissões quanto à adaptação aos impactos provocados pelas mudanças climáticas.
Ao abordar os resultados do levantamento, o secretário de município do Meio Ambiente, Antônio Carlos Soler afirmou que o inventário representa uma ferramenta fundamental para orientar as futuras ações da administração municipal, voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas. Ele lembrou que, na primeira reunião do comitê, realizada no ano passado, o foco foi a construção da parceria com a Furg para a realização deste estudo. “Agora, com os resultados consolidados, o Município passa a contar com informações que permitem identificar as principais fontes de emissão e definir prioridades para as políticas públicas.”
Soler disse, também, que a partir desse diagnóstico, “podemos direcionar recursos, esforços e políticas públicas para os setores que mais contribuem para a emissão desses gases, pois sem esse conhecimento, não é possível construir uma política climática eficiente”. O secretário defende que é preciso trabalhar com base na ciência.
Termo de Referência
Além da divulgação dos primeiros resultados do inventário, a reunião contou com a apresentação do Termo de Referência para a elaboração do Plano de Ação Climática do Município, conduzida pela secretária-adjunta da SMMA, Daiane Marques. O documento estabelecerá as diretrizes técnicas que orientarão a construção do plano.
A adjunta citou que as mudanças climáticas representam um dos maiores desafios do nosso tempo, exigindo ações coordenadas e planejadas em todos os níveis de governo e sociedade. “Esse Termo de Referência apresenta as diretrizes para elaboração do Plano de Ação Climática, documento estratégico que orientará políticas públicas e iniciativas institucionais voltadas à mitigação e adaptação às mudanças do clima”. O objetivo, de acordo com ela, é estabelecer metas claras, indicadores mensuráveis e cronogramas de implementação que permitam uma transição sustentável e resiliente, alinhada aos compromissos nacionais e internacionais de proteção ambiental.
Daiane Marques apresentou vários aspectos do Plano de Ação Climática que estão em discussão. Citou os quatro pilares do plano, baseados em: mitigação - redução das emissões de gases de efeito estufa por meio de energias renováveis e eficiência energética; governança climática - estrutura institucional para coordenação, monitoramento e avaliação das ações climáticas; adaptação - preparação para os impactos das mudanças climáticas e aumento da resiliência; e o financiamento verde - mobilização de recursos e investimentos para projetos sustentáveis e de baixo carbono.
Ela ainda mostrou quais são as áreas prioritárias do plano municipal – energia, transporte, resíduos, uso do solo, recursos hídricos, drenagem urbana, infraestrutura verde, educomunicação e governança. Em relação ao transporte, a proposta é investir em mobilidade sustentável com incentivo ao transporte público e veículos de baixa emissão.
Compartilhe:
de
7