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Palestra de abertura do ano letivo da rede municipal reflete sobre educação humanizadora e coerência entre discurso e prática

Presença da professora Emília Cipriano (PUC/SP) reafirmou o compromisso da gestão municipal com uma educação pública de qualidade, socialmente referenciada e fundamentada em práticas que promovam dignidade, inclusão e transformação.

21/02/2026

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A rede pública municipal do Rio Grande iniciou, oficialmente, o ano letivo de 2026, nesta sexta-feira (20), com uma aula inaugural marcada por reflexão, emoção e compromisso com a transformação social. A convidada especial foi a professora da PUC/SP Emília Cipriano, doutora em Educação, mestre em Psicologia da Educação e graduada em Serviço Social e Pedagogia, que esteve pela primeira vez no Município para abordar o tema “Entre Diálogo e Bonitezas – A Escola como Espaço de Humanidade: fundamentos e práticas para uma educação sensível e emancipadora”, proposto pela Secretaria de Município da Educação (SMEd).

Reconhecida nacional e internacionalmente por sua trajetória acadêmica e militância histórica em defesa da educação infantil e da formação de educadores, Emília percorre o país promovendo momentos de reflexão – somente nas últimas semanas, passou por 21 estados brasileiros. No entanto, como destacou, foi a primeira vez que recebeu um tema previamente sugerido para uma aula inaugural. “Foi um presente. Esse tema me remete à minha própria história de vida”, afirmou.

A cerimônia reuniu a prefeita Darlene Pereira e o vice, Renato Gomes, a secretária da SMEd, Cleuza Dias e a equipe da secretaria, os deputados Alexandre Lindenmeyer (federal) e Halley de Souza (estadual), parlamentares da Câmara Municipal, dirigentes do Sinterg, diretores e diretoras de escolas, além de professores e professoras da rede municipal. A abertura contou com prestação de contas à comunidade escolar e o anúncio de novas obras e investimentos.

Antes da palestra, em entrevista ao setor de Jornalismo da Prefeitura, a educadora refletiu sobre o desafio de reconstruir as humanidades diante de um cenário de crises climáticas, sociais e relacionais. “Esse é o tema que a educação ilumina. No seu trabalho, você reinventa e reconstitui a possibilidade de uma vida humana com dignidade. Humanizar é olhar para o outro sem exclusão, com escuta ativa e compromisso com a espécie humana”, afirmou.

Questionada se ainda é possível promover essa transformação, foi enfática: “Claro que é possível. Eu não estaria aqui se não acreditasse. É preciso reorganização coletiva e parceria. Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si próprio”. Mais adiante, ao ser indagada se a educação ainda é um caminho para as pessoas se humanizarem, afirmou: “Na minha compreensão, professor(a) é um profissional que ocupa um espaço determinante. Professora é referência, com todos os questionamentos que existem, com todas as fragilidades estruturais, com toda a não valorização, muitas vezes profissional, mas ele é referência, ele está na memória afetiva, ele está na construção da identidade”.

Durante pouco mais de uma hora de exposição para a plateia, Emília Cipriano emocionou o público ao destacar a coerência entre os discursos das autoridades municipais e as ações apresentadas na abertura do evento. “Estou falando com verdade: senti emoção ao ver uma aula inaugural com coerência entre discurso e prática. Chega de viver a riqueza do discurso e a pobreza das práticas. Só vamos romper o que vivemos quando materializarmos nas práticas aquilo que falamos”, declarou, sob aplausos.

Freiriana convicta – adepta da pedagogia de Paulo Freire, a palestrante defendeu uma educação fundamentada em práticas transformadoras e não apenas em retórica. Para ela, embora o Brasil possua uma legislação educacional avançada, o grande desafio está na efetivação concreta desses direitos. “Chega de riqueza de discurso e pobreza das práticas. A educação precisa ser prática transformadora.”

Em sua manifestação, compartilhou experiências marcantes da luta por creches e pela valorização da educação infantil em São Paulo. Relatou episódios que revelam preconceitos históricos em relação às crianças pequenas e aos profissionais que atuam com elas. “Quanto menor a criança, menor a valorização do profissional. Isso revela que ainda não acreditamos nas infâncias”, pontuou.

Ao recordar o início de sua atuação em creches, destacou uma lição que carrega até hoje: “Quem educa tem que olhar para a essência, não para a aparência. Não pode haver nenhum tipo de discriminação”. A educadora também ressaltou a importância de distinguir assistência social de assistencialismo. “Assistência é direito. Assistencialismo é favor. Eu sou a favor do direito, que é de todos, sem exceção.”
Para Emília, os educadores têm papel central na reinauguração cotidiana da humanidade. “Professor não é dador de aula. Professor é construtor de identidades humanas. É fundador de mundos. É gestor de sonhos.” Defendeu ainda a superação da fragmentação entre áreas e segmentos. “Não somos profissionais de um segmento. Somos educadores de seres humanos, da primeira infância ao pós-doutorado.”

O conceito de “boniteza”, presente no tema da aula, também foi aprofundado. Afirmou que o termo, muitas vezes incompreendido, refere-se ao brilho, à intensidade e à profundidade do pensamento, associado a uma escola que humaniza diariamente. “Quem trabalha com gente está reinaugurando a humanidade todos os dias.”

A palestra foi iniciada com a música e a poesia “Te desejo vida”, da artista paraibana Flávia Wenceslau, escolhida para simbolizar a esperança e o compromisso coletivo com uma educação sensível, dialógica e emancipadora.

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