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CAEE Escola Viva recebe nome da professora Gilda Maria Brancão Lopresti

A instituição atende pessoas dos 4 anos até a fase idosa, sem limite máximo de idade. São 212 estudantes, entre crianças, jovens, adultos e idosos, sendo 61 deles atendidos em turno integral.

14/05/2026

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O Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEE) Escola Viva, localizado na Avenida Portugal, 38, no bairro Cidade Nova, passou a levar oficialmente o nome da professora Gilda Maria Brancão Lopresti, reconhecida por sua trajetória dedicada à educação inclusiva no município do Rio Grande. A cerimônia de descerramento de uma placa em sua homenagem ocorreu na noite desta quarta-feira (13). 

Participaram a prefeita Darlene Pereira, a secretária de Município da Educação, Cleuza Dias e gestores da pasta, vereadores, profissionais do CAEE, familiares da homenageada e a comunidade atendida pelo centro, isto é, pessoas com deficiência ou com necessidades educacionais especiais. A proposta de denominação com o nome Gilda Lopresti foi apresentada pela vereadora Denise Marques (PT), com projeto sendo aprovado pela Câmara Municipal e, posteriormente, sancionado pela prefeita Darlene Pereira. 

Durante o evento, também houve apresentação da Banda Escola Viva, formada por integrantes do próprio CAEE. Em outro momento marcado pela emoção, o público acompanhou o pedido da secretária Cleuza Dias e cantou o refrão adaptado da música de Raul Seixas: “Viva... Viva... Viva a sociedade inclusiva”.

A homenageada iniciou sua trajetória na educação após concluir o Magistério, em 1966, ingressando posteriormente no serviço público municipal. Ao longo de décadas, dedicou sua carreira ao atendimento de estudantes com deficiência e dificuldades de aprendizagem, atuando como alfabetizadora e se especializando em deficiência intelectual, transtornos e dificuldades de aprendizagem. Gilda Lopresti também foi pioneira ao assumir a primeira turma de estudos diferenciados da Escola Barão de Cerro Largo e atuou durante dez anos na APAE. Além da experiência em sala de aula, contribuiu como assessora na Secretaria de Município da Educação e na 18ª Coordenadoria Regional de Educação, encerrando sua carreira na Escola Juvenal Miller. Sua atuação profissional foi marcada pela defesa da inclusão e pela convicção de que cada pessoa, respeitada em seu tempo e em suas possibilidades, é capaz de desenvolver múltiplas aprendizagens.

A diretora do CAEE, Ana Lúcia Lopresti, filha da homenageada, comentou sobre o significado do reconhecimento à trajetória da mãe e também a importância do fortalecimento das políticas públicas de inclusão no Município. “Minha mãe foi uma precursora da inclusão no Rio Grande. Ela trabalhou numa época em que a inclusão ainda não era compreendida como hoje e sempre teve um olhar acolhedor para os diferentes processos de aprendizagem. Esse centro também representa um sonho profissional construído ao longo da minha trajetória profissional.” Ana Lúcia é professora, pedagoga, psicanalista e especialista em inclusão, com mais de 40 anos atuando na SMEd. Ela lembrou ainda que o reconhecimento oficial surgiu a partir de diálogo com a vereadora Denise Marques.

Atendimento

Outro momento marcante da cerimônia foi o relato da coordenadora pedagógica do CAEE, professora Eliane Elesbão, que detalhou a história de transformação do espaço e a forma como o atendimento especializado vem sendo desenvolvido no local. O atual CAEE teve origem em 2010, quando o então Centro de Formação Escola Viva foi criado para oferecer atividades de contraturno aos estudantes da rede municipal. Na época, o espaço desenvolvia oficinas de informática, línguas, reforço escolar e outras ações educativas.

Com o passar dos anos, grupos voltados ao atendimento de pessoas com deficiência, como o Muito Prazer Eu Existo e o Novo Afeto, passaram a ocupar o prédio, anteriormente utilizado como presídio municipal até o final da década de 1990. A partir dessa construção coletiva, surgiu a proposta de criação do Centro de Atendimento Educacional Especializado, oficialmente inaugurado em outubro de 2025.

Atualmente, o CAEE atende pessoas dos quatro anos de idade até a fase idosa, sem limite máximo de idade. São 212 estudantes em circulação nas atividades oferecidas, entre crianças, jovens, adultos e idosos, sendo 61 deles atendidos em turno integral, permanecendo no local desde a manhã até a noite.

Eliane explicou que o ingresso no CAEE ocorre de duas formas: por encaminhamento das escolas municipais, através das Salas de Recursos, ou pela Central de Vagas, destinada principalmente a jovens, adultos e idosos não escolarizados que desejam frequentar os espaços de aprendizagem. O acolhimento realizado pelo CAEE envolve entrevistas com as famílias, anamnese - entrevista clínica inicial realizada por profissionais de saúde -, avaliações específicas e estudo de caso individualizado, permitindo a construção de um plano adequado às necessidades de cada estudante.

Ambientes 

Cada ambiente do CAEE foi pensado para estimular autonomia, convivência, desenvolvimento e protagonismo. O trabalho é organizado por espaços de aprendizagem. Entre eles, estão o Luz, Câmera e Emoção, destinado às atividades de música, teatro, dança, rádio e televisão; o Integra, voltado ao desenvolvimento corporal; o Batucarte; o Artesanato; o Desenvolverte, para a infância; o Entre Nós, para o acolhimento familiar; além do Ninho de Ideias, utilizado para orientação parental.

Os próprios estudantes participaram da construção da identidade dos ambientes, inclusive escolhendo os nomes dos espaços. Um dos exemplos é o Espaço Sinapses, destinado às reuniões pedagógicas, nome criado pelos alunos em referência às conexões cerebrais relacionadas à aprendizagem.

Prédio ressignificado

Outro ponto enfatizado por Eliane Elesbão foi a ressignificação do prédio, que anteriormente abrigava o presídio municipal. A equipe do CAEE trabalhou para transformar completamente a atmosfera do espaço, utilizando muitas cores em portas e paredes, reorganizando os ambientes e propostas pedagógicas voltadas à autonomia e ao pertencimento. Ela conta que “era um espaço marcado pela arquitetura prisional e, então, começamos a trazer vida para esse lugar, transformando os ambientes em locais acolhedores, de aprendizagem e convivência”.

Os resultados já são percebidos pelas famílias atendidas, especialmente no desenvolvimento da autonomia, socialização e participação dos estudantes em atividades externas e na rotina da cidade. 

Manifestações

Antes do descerramento da placa, também se pronunciaram a prefeita Darlene Pereira, a secretária Cleuza Dias e a vereadora Denise Marques. Todas falaram da importância da homenagem e sobre o fortalecimento das políticas de inclusão no Município. Bastante feliz em participar da cerimônia, a prefeita relembrou a trajetória da professora Gilda Lopreti, parabenizou os familiares e a direção e profissionais que atuam no centro e afirmou que o CAEE tem por objetivo “fazer esse cuidado, ou seja, promover a inclusão, melhorando a qualidade de vida das pessoas com deficiência ou com necessidades especiais de aprendizagem”.

Autora da proposição que deu novo nome ao centro, a vereadora Denise elogiou a atuação da homenageada, afirmando que ela defendia que a Educação precisava alcançar todas as pessoas, respeitando as diferenças e compreendendo cada estudante com sua singularidade. 

A secretária Cleuza Dias citou o caráter pioneiro da professora Gilda Lopreti na área de educação especial. Disse que o CAEE Vida Ativa qualifica a Educação no Rio Grande em termos de atendimento especializado. “Por aqui, em algum momento, os estudantes da nossa rede vão passar para fazer algum atendimento ou uma avaliação mais especializada. O CAEE acrescenta nas ações de inclusão para que possamos atender com mais qualidade os nossos quase 4 mil estudantes autistas e outros com alguma deficiência que temos na cidade”. A secretária salientou que o espaço e a equipe que atendem no CAEE são muito qualificados e que, em breve, outros profissionais passarão a atender no local, integrando cada polo educacional da rede escolar.

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