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Audiência pública apresenta o novo terminal da CMPC no Rio Grande com projeção de R$ 8,8 bilhões em benefícios econômicos
02/06/2026
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Evento teve duração de quatro horas e integra as etapas obrigatórias do processo de licenciamento ambiental do Terminal Rio Grande do Sul S/A junto aos órgãos competentes. O empreendimento está entre as principais iniciativas de expansão da atividade portuária do Município.
Mais de 500 pessoas participaram da audiência pública realizada na tarde desta segunda-feira (1º), no Centro Português, no bairro Senandes, para apresentação do Relatório de Impacto Ambiental (Rima) e do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do Terminal Rio Grande do Sul S/A. A etapa faz parte do processo de licenciamento ambiental do empreendimento que será instalado na ponta sul do Porto Novo do município do Rio Grande, destinado à movimentação e armazenagem de carga geral, com foco principal na exportação de celulose.
O terminal integra o Projeto Natureza, da CMPC Celulose, grupo chileno que confirmou, em janeiro deste ano, em ato com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, investimentos superiores a R$ 27 bilhões no Rio Grande do Sul, incluindo uma nova fábrica em Barra do Ribeiro e a estrutura portuária no município do Rio Grande. O projeto é considerado o maior investimento privado já anunciado no Estado.
Nesta segunda-feira, participaram da audiência a prefeita Darlene Pereira, o vice Renatinho Gomes, secretários municipais das áreas de Infraestrutura, Meio Ambiente, Fazenda e Desenvolvimento, Inovação, Turismo e Economia do Mar, vereadores, representantes de empresas da comunidade portuária, sindicatos de trabalhadores, gestores da Furg e integrantes de órgãos ambientais. Durante o encontro, gestores municipais manifestaram apoio ao empreendimento, ressaltando a importância da geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico para o Município, ao mesmo tempo em que defenderam a aplicação de compensações ambientais e sociais voltadas à qualificação de áreas protegidas e ao fortalecimento da resiliência climática local.
Investimento de R$ 1,36 bilhão
A apresentação técnica do projeto foi conduzida pelo diretor institucional da Sagres Operações Portuárias, Leonardo Maurano, que detalhou os investimentos previstos para a implantação do terminal. O empreendimento receberá aporte estimado em R$ 1,36 bilhão. Desse total, R$ 439 milhões serão destinados à construção de armazéns e edificações de apoio; R$ 322 milhões aos berços para navios e barcaças; R$ 112 milhões para equipamentos e mobiliários; R$ 30 milhões para dragagem da bacia e dos berços; R$ 46 milhões em investimentos diretos e R$ 190 milhões em planos de contingência. Outros R$ 214 milhões serão aplicados em equipamentos pelo operador portuário.
A estrutura contará com dois berços para navios oceânicos, dois para descarga de barcaças e um armazém de 60 mil metros quadrados e demais estruturas auxiliares. O contrato de concessão da área tem duração de 25 anos e foi formalizado em janeiro deste ano, em cerimônia com a presença do presidente Lula e do governador Eduardo Leite. A área destinada ao terminal estava sem utilização desde 2014.
Com capacidade operacional superior a 5 milhões de toneladas de celulose por ano, podendo alcançar picos de até 9 milhões de toneladas, o terminal será responsável pelo escoamento da produção da futura fábrica da CMPC no município de Barra do Ribeiro.
Geração de empregos
Dados apresentados na audiência, mostraram que a fase de implantação deverá gerar, aproximadamente, 600 empregos diretos e outros 600 indiretos. Na operação, a expectativa é de 450 empregos permanentes, além de cerca de 2.100 postos terceirizados vinculados às atividades logísticas e portuárias.
O estudo aponta que os benefícios econômicos diretos da operação podem alcançar R$ 8,8 bilhões ao longo do período analisado, considerando geração de renda para trabalhadores, fretes de caminhoneiros, tarifas portuárias, impostos municipais, despesas operacionais relacionadas à manutenção da atividade entre outros investimentos.
Ganhos para o complexo portuário local também foram apresentados. Entre eles, a liberação de sete armazéns atualmente utilizados para celulose, ampliando a disponibilidade para outras cargas; a oferta adicional de dois berços de atracação no Porto Novo; e o repasse de recursos decorrentes da cessão da área para investimentos estruturantes no Porto Público.
Na área ambiental, a utilização das hidrovias para transporte da produção deverá reduzir em aproximadamente 57 mil toneladas as emissões de dióxido de carbono (CO), em comparação a outras modalidades logísticas.
Executivo projeta mais desenvolvimento
O secretário de Município de Desenvolvimento, Inovação, Turismo e Economia do Mar (SMDITMAR), Vitor Magalhães avaliou que o projeto representa uma oportunidade importante para ampliar a geração de empregos, renda e consumo no município. Disse que os empreendimentos desse porte fortalecem a economia local e estimulam a atração de novos investimentos para o Rio Grande.
Na área ambiental, o secretário de Município do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (SMMA), Antônio Carlos Soler, defendeu que os recursos oriundos das compensações ambientais sejam direcionados à ampliação, criação e qualificação de unidades de conservação do Município. Reforçou que os investimentos podem contribuir para fortalecer as políticas de adaptação climática em uma cidade reconhecida por sua vulnerabilidade aos eventos extremos.
Ao encerrar a audiência, a prefeita Darlene Pereira afirmou que a escolha do Rio Grande para receber o terminal confirma o potencial logístico e econômico do Município e a importância estratégica do Porto do Rio Grande para o desenvolvimento regional. Ela também informou que o governo municipal já iniciou articulações com a CMPC, instituições de ensino e parceiros locais para construção de projetos voltados à educação ambiental e à qualificação profissional da população.
A prefeita reiterou a defesa de que parte das compensações ambientais seja aplicada em projetos de recuperação e proteção ambiental no Município e colocou a administração municipal à disposição para apoiar ações de capacitação de trabalhadores, visando preparar mão de obra para atender à demanda gerada pelo novo ciclo de investimentos.
No link abaixo, confira o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) e o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentados durante a audiência.
https://terminalrs.com.br/#o-que-e
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