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Seminário debate demandas, serviços e mapeamento da população em situação de rua no Rio Grande

16/07/2026

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Equipes técnicas, voluntários, usuários da rede de atendimento e comunidade estiveram reunidas na sede da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (Adra), onde também funciona o Restaurante Popular, para o 1º Seminário Municipal sobre a População em Situação de Rua do Rio Grande. O evento, promovido pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (Smadh) teve o objetivo de dar visibilidade à realidade da população em situação de rua, debatendo alternativas de atendimento e o trabalho já realizado pelas equipes do Município e voluntários.

O início da atividade teve a presença da prefeita Darlene Pereira, que destacou o objetivo da ação de melhor entender o que está sendo feito na área e se o trabalho está atendendo a demanda da comunidade. Também salientou a importância da integração com a sociedade civil, instituições comunitárias organizadas e voluntários para uma construção coletiva de melhores políticas públicas.

“Sabemos que muita coisa é feita por muita gente, mas entendo que podemos potencializar o que a gente faz, criando oportunidade de direito para que as pessoas possam não estar na rua, se assim quiserem, para que a rua não seja a única opção. Precisamos ir além, criar oportunidade para que essas pessoas tenham os seus direitos de cidadania garantidos. Ter um local para viver, um trabalho, poder se sustentar sem depender de ninguém é um direito de cidadania e é nisso que temos que trabalhar”, afirma.

Para a Letícia Correa, superintendente da Proteção Social de Média Complexidade e uma das organizadoras do evento, a intenção era justamente aproximar a sociedade da população de rua, para diálogo e entendimento sobre suas reais necessidades, visando qualificar o atendimento.

“Queremos que as pessoas entendam o motivo dessas pessoas estarem nas ruas, não vitimizá-los e sim dar autonomia. São pessoas que têm direitos e precisamos romper com essa ‘cegueira’ da sociedade. Estamos aqui para olhar como sujeitos de direito e fazer com que a comunidade entenda que nós estamos trabalhando com eles e buscando recursos para melhor atendê-los, para tentar tirá-los das ruas, mas sempre lembrando que eles têm o direito de estar nas ruas”, conta. Ela também elencou alguns dos serviços oferecidos a essa comunidade, como o acolhimento noturno, Restaurante Popular, Abordagem Social, Consultório na Rua, Centro Pop, as ações integradas com a Defesa Civil, entre outros.

Sobre o atendimento, Alcebiades Marengo, que está em situação de rua há 16 anos, reconhece que os serviços oferecidos a eles são muito bons. Como representante eleito dessa comunidade, Marengo é um dos membros do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política para a População em Situação de Rua (Ciamp-Rua).

“A alimentação é excelente, temos todos os dias. Estamos satisfeitos, para nós está muito bom. Mas tem morador de rua que não quer se ajudar, que prefere não ficar no abrigo. Com o frio e o mau tempo previsto para a cidade, o recomendado é o pessoal ficar no abrigo”. Ele também comentou que tem visto a população em situação de rua aumentar em Rio Grande e que tem propostas para apresentar ao poder público.

Voluntários e apoio de programa da Conab

Atualmente, Rio Grande conta com um movimento organizado formado por sete grupos, que fornecem alimentação à população em situação de rua, sendo um a cada dia. Paulo Gonçalves representa um desses grupos, o Voluntários do Amor, e está há 10 anos atuando nesse auxílio.

“O retorno, só quem faz que sabe como é, a gente ganha muito mais do que a gente dá. Financeiramente não ganhamos nada, mas atender o pessoal, receber um abraço de uma pessoa que há dias está na rua sendo malvisto pelos outros, não tem dinheiro que pague. É muito gratificante”,

A equipe da qual faz parte atualmente é uma das cinco cozinhas comunitárias contempladas pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), vinculado à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e que teve intermédio da Prefeitura. Assim, o grupo recebe uma grande variedade de alimentos para o fornecimento de refeições à população em situação de rua, como verduras, legumes, ovos, frutas e proteínas, inclusive de pescados.

“A parte de hortifrúti sempre foi um problema para todos os grupos, mas hoje temos bastante. Esse olhar do poder público tem nos ajudado bastante, a gente precisa desse apoio. A quantidade tem sido além do esperado, até estamos com falta de voluntários porque agora tem mais coisas para fazer”, diz.

Palestra

O coordenador da Adra, Cristiano Freitas, retornou ao Município para falar sobre sua experência do atendimento à população em situação de rua. Após iniciar seu trabalho no Rio Grande, ele foi transferido para Porto Alegre, sendo representante estadual da entidade. Em sua fala, Freitas abordou os diversos aspectos que contribuem para que as pessoas estejam nas ruas e também ressaltou os serviços oferecidos na cidade.

“É muito gratificante estar de volta, depois de três anos e meio, e participar desse seminário onde comecei, durante a pandemia. O Rio Grande tem uma força enorme nessa área e o poder público traz esse apoio. Nós, como Adra, conseguimos fortalecer essa parceria, e toda essa engrenagem entre poder público, OSCs, voluntários, grupos e instituições faz uma grande diferença para as pessoas que estão na rua. Mas claro que querer sair dessa situação depende muito delas".

Ele também acrescenta que, junto ao Restaurante Popular, a Adra oferece cursos de qualificação como uma alternativa para voltar ao mercado de trabalho e deixar as ruas. “Ofertamos outros caminhos para que as pessoas possam começar a caminhar sozinhas, sejam reintegradas à sociedade. Nós fazemos nossa parte e temos grandes resultados, exemplos de muitas pessoas que deixaram essa situação e hoje tem sua casa, seu trabalho e sua dignidade resgatada”.

Apresentação de dados e debate em grupo

Na parte da tarde, foi apresentado o mapeamento da população em situação de rua no Rio Grande, elaborado durante ações integradas de atendimento direto a essa população nos locais onde vivem. Este trabalho teve a participação de equipes da Smadh, da Secretaria de Saúde, da Defesa Civil e voluntários, que percorreram as ruas para abordagem, atendimento e diálogo sobre as principais dificuldades e demandas.

Também foram abordados os serviços atuantes no Município, como o Serviço Especializado de Abordagem Social, instituições de acolhimento, Centro Pop, Restaurante Popular, entre outros. Em seguida, foram realizadas discussões temáticas em grupos, reunindo pessoas em situação de rua e demais membros da comunidade para debate e reflexão sobre a temática.

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