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Feira das Quitandeiras reúne empreendedorismo, cultura e ancestralidade negra no Largo Dr. Pio

Programação integrou as ações do Julho das Pretas, movimento que promove atividades de valorização, visibilidade e reconhecimento das mulheres negras, fortalecendo o debate sobre igualdade racial, direitos, cultura, empreendedorismo e participação social.

24/07/2026

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O Largo Dr. Pio, no Centro de Rio Grande, voltou a ser ocupado nesta sexta-feira (24) por uma programação que uniu empreendedorismo, cultura, arte e ancestralidade negra. A Feira das Quitandeiras, realizada pela Prefeitura do Rio Grande, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SMCEC), integrou a programação do Julho das Pretas e reuniu cerca de 80 mulheres empreendedoras, além de apresentações artísticas e atividades alusivas ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrados neste sábado (25).

A programação, realizada das 13h às 20h, contou com a participação de cerca de 40 afro-empreendedoras que, relembrando a sua ancestralidade, atuaram na Feira das Quitandeiras. Além delas, outras 40 mulheres foram convidadas a participar por meio da Superintendência de Associativismo, Cooperativismo e Empreendedorismo Feminino da Secretaria de Município de Desenvolvimento, Inovação, Turismo e Economia do Mar (SMDITMAR). Juntas, elas comercializaram doces, produtos gastronômicos, artesanato, roupas, peças de brechó e outros itens, movimentando o empreendedorismo feminino e a economia local.

A atividade também recuperou a memória e a importância histórica do antigo Largo das Quitandeiras, atual Largo Dr. Pio, espaço que remete à presença de mulheres negras que, no passado, comercializavam seus produtos no local. A feira, nesse sentido, representa também uma forma de reconectar o presente com essa história e valorizar a contribuição da população negra para a formação cultural e econômica do Rio Grande.

A prefeita Darlene Pereira esteve no evento e percorreu os espaços de comercialização, acompanhando as atividades e conversando com as expositoras. Para ela, a iniciativa permite valorizar a produção local e, ao mesmo tempo, resgatar a ancestralidade da população negra.

“É uma alegria estar aqui com vocês nesta Feira das Quitandeiras”, disse a prefeita, referindo-se ao espaço que “resgata a ancestralidade do nosso povo negro e valoriza a produção local. Isso é fundamental”. A Chefa do Executivo lembrou que tem insistido bastante em valorizar o que se faz no Rio Grande, “o que é da nossa terra, o que a nossa gente produz, pois este é um espaço para mostrar à comunidade o resultado do trabalho coletivo de tantos homens e mulheres, especialmente das mulheres, hoje, em função da Feira das Quitandeiras”.

Entre as expositoras estava a empreendedora Carla Trindade, do Ateliê Afro Carla Trindade e integrante da Rede Mulheres Empreendedoras. Para ela, participar da feira tem um significado especial por representar a retomada de um espaço ligado à história de suas ancestrais. “Estamos em um espaço nobre, na entrada do calçadão, fazendo um evento nosso. Isso é muito difícil para nós aqui no Rio Grande. A visibilidade é importante e ter esse espaço é maravilhoso”, disse. Carla também relacionou sua participação na feira à memória das mulheres negras que ocuparam o local no passado. “Esse espaço é histórico e representa a nossa ancestralidade. Aqui, mulheres negras, minhas antepassadas, também estiveram fazendo comércio. E hoje eu estou aqui, depois de tanto tempo. Para mim, é muito marcante e muito importante.”

A programação contou ainda com apresentações artísticas de músicos locais, desfile de mulheres negras da terceira idade, reconhecidas como lideranças em suas comunidades, e a Marcha Todas por Elas, que saiu do local em direção às docas do Mercado Público. Ao som de atabaques, a caminhada prestou homenagem à orixá Nanã.

Desfile das Divas

Para Eliane Menezes, coordenadora da Unegro e integrante da organização da atividade, a Feira das Quitandeiras representa a união de iniciativas dos movimentos sociais negros e a valorização do protagonismo das mulheres negras. Disse que, “dentro de uma gestão popular, acolhemos esse clamor, pensando no Julho das Pretas como uma forma de unificar as atividades, valorizar o protagonismo das nossas mulheres e celebrar o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e das mulheres africanas em diáspora aqui no Rio Grande, que eram as quitandeiras”, explicou.

Ela também falou sobre o desfile das mulheres negras da terceira idade, chamado de Desfile das Divas Africanas. Foi uma iniciativa dos movimentos sociais pensando na beleza da mulher negra na terceira idade e na beleza das suas trajetórias na luta antirracista, na resistência e na sua forma de ser e de viver ao longo de tantos anos e de tantas dificuldades nos espaços que envolvem discriminação de gênero, classe e todas as suas interseccionalidades.

A coordenadora do Conselho Municipal de Desenvolvimento Social e Cultural da Comunidade Negra (Comdesccon), Débora Nill também participou da programação. Para ela, a iniciativa buscou fortalecer conexões e ampliar a visibilidade das empreendedoras negras. “Viemos para acrescentar, conectar, transformar e mostrar para nossas grandes empreendedoras negras a potencialidade delas. Muitas dessas mulheres estariam em casa, mas nada como trazê-las para este espaço, onde nossas ancestralidades se constituíram e transformaram suas casas, naquela época, em espaços de comércio.”

Débora lembrou, ainda, a importância da articulação entre as entidades e instituições parceiras. “Não construímos nada sem os nossos parceiros. Estamos aqui com a Rede Afiya, o Comdesccon, o Pluralidades, o Sebrae e tantos outros, conectando e construindo juntos”.
Por sua vez, a secretária de Cultura e Economia Criativa, Rita Rache afirmou que a Feira das Quitandeiras representa um momento de reconhecimento da história e da cultura afro-brasileira na formação do Município. “É um evento que traduz muito do que é a história e a cultura da nossa cidade. É importante para a população negra, pelo reconhecimento do valor, do trabalho, da existência dessas pessoas e de tudo o que elas representam e contribuem para a cultura e para a história do Rio Grande. Mas também é muito importante para a comunidade como um todo, porque é direito de cada pessoa conhecer a história da sua cidade, do lugar onde vive.”

A secretária afirmou que “a história afro do Rio Grande, ao longo de muitos anos, foi sonegada e invisibilizada, mas ela é constitutiva do que somos hoje. Precisamos de espaços como este e tantos outros para reconhecer e reparar aquilo que, historicamente, foi invisibilizado. Esse encontro traduz muito do que é a cultura da nossa cidade e a importância das políticas públicas, especialmente as políticas culturais, nesse reconhecimento”.

SMDITMAR

A superintendente de Associativismo, Cooperativismo e Empreendedorismo Feminino da SMDITMAR, Adriana Silveira falou que a participação de 40 mulheres da Rede de Mulheres Empreendedoras ampliou a diversidade de produtos oferecidos na feira. Ela também compreende que o espaço é histórico de comercialização e que essas mulheres carregam essa história na sua genética. “São 40 mulheres que vieram se juntar a outras mulheres, trazendo diversos nichos, desde gastronomia e saboaria até roupas e brechó, dentro da proposta de economia circular.”

A Feira das Quitandeiras contou com a parceria do Conselho Municipal de Desenvolvimento Social e Cultural da Comunidade Negra (Comdesccon), Unegro, ONG Amigos da Natureza, Centro de Referência de Atendimento a Mulheres (CRAM), ONG ISNews, Rede Afiya de Empreendedorismo Afro, Sebrae e outras entidades.

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