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“Palavras no Mercado" encerra Julho das Pretas com diálogo sobre literatura, memória e identidade negra
Escritora brasiliense, Andressa Marques compartilhou sua trajetória de vida e explicou como a escrita surgiu a partir da força da coletividade e das experiências vividas como mulher negra: "Foi a força coletiva que me fez acreditar que eu podia escrever".
01/08/2026
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Entre um copo de pipoca, um prato de canjica ou um copo de atã de Ogum (bebida sagrada feita com frutas), a escritora brasiliense Andressa Marques, autora do livro “A Construção”, contou um pouco de sua história enquanto pesquisadora, mulher e negra. Assim transcorreu a roda de conversa "Palavras no Mercado: Valorizando Nossas Mulheres Pretas e Seus Saberes", realizada na noite de sexta-feira (31), no Espaço Coworking do Mercado Público Municipal, encerrando oficialmente a programação do Julho das Pretas. A atividade foi promovida pela Prefeitura do Rio Grande, por intermédio da Secretaria de Município da Cultura e Economia Criativa (SMCEC), em parceria com a Unegro e outras instituições, entre elas a Secretaria de Município da Agricultura e Pecuária (SMAP), responsável pela administração do Mercado Público.
Com o espaço lotado, o encontro reuniu representantes do movimento negro, de clubes sociais negros, da área da literatura e da comunidade para uma conversa sobre pertencimento, produção literária e valorização da cultura afro-brasileira. Antes da abertura, o músico Gabriel Fredo fez uma apresentação de voz e violão. Também prestigiaram a atividade a secretária da SMCEC, Rita Rache, a coordenadora do Núcleo Municipal do Livro, Leitura e Literatura, Luciana Gepiak, a representante da Unegro, Eliane Marques, e a professora do Centro de Letras e Comunicação da UFPel, Vanessa Damasceno, que articulou a vinda da autora brasiliense até o Rio Grande. A escritora brasiliense havia palestrado no dia anterior, em Pelotas, no Clube de Leitura Ler Mulheres, da UFPel.
Eliane Marques (Unegro) disse que a roda de conversa fortaleceu a luta antirracista ao aproximar a comunidade da literatura negra e ampliar o diálogo sobre identidade, direitos e ações afirmativas. Para Rita Rache, a presença de Andressa no Rio Grande foi resultado de uma parceria construída pela SMCEC, via Núcleo do Livro, Leitura e Literatura, com a UFPel e entidades locais, levando ao Mercado Público uma atividade em um espaço de grande significado para a cultura e a população negra. Já Luciana Gepiak ressaltou que a iniciativa reafirma o compromisso do Município em incentivar a leitura e democratizar o acesso à literatura por meio de ações culturais em espaços públicos.
A Construção
Coordenadora-Geral do Plano Nacional do Livro e Leitura, do Ministério da Cultura (MinC), Andressa Marques compartilhou sua trajetória de vida e explicou como a escrita surgiu a partir da força da coletividade e das experiências vividas como mulher negra: "Foi a força coletiva que me fez acreditar que eu podia escrever", afirmou ao público. Durante cerca de duas horas de conversa, apresentou o romance "A Construção", lançado em 2024, que narra, em dois períodos históricos distintos, a trajetória de uma família negra em Brasília (DF).
A obra entrelaça a construção da capital federal, a experiência da primeira geração de estudantes cotistas da Universidade de Brasília (UnB), memória familiar, religiosidade de matriz africana e os impactos do racismo na formação da cidade. Explora, principalmente, a história dos trabalhadores que ergueram a capital federal, destaca a precariedade e os sacrifícios por trás da criação de Brasília, conecta as raízes da família da protagonista com a memória dos construtores da cidade e exibe as relações complexas com professores e veteranos em um espaço de maioria branca.
A escritora explicou que sua visita ao município do Rio Grande foi motivada pelo interesse em conhecer a história dos clubes sociais negros rio-grandinos e as políticas públicas locais voltadas ao livro e à leitura. Ela elogiou o incentivo à publicação de autores da cidade e lembrou que o Município está entre os que mais publicam livros no Rio Grande do Sul, atrás apenas de Porto Alegre e de Caxias. Para Andressa, iniciativas como essas preservam a memória coletiva, fortalecem a identidade cultural e ampliam o acesso da população à literatura, tornando a produção literária um instrumento de pertencimento, reconhecimento e transformação social.
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