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Rio Grande e ICMBio unem esforços pela conservação ambiental

Relação histórica entre as duas partes envolve diferentes frentes de cooperação. ICMBio defende conservação da natureza como vetor de desenvolvimento e prosperidade para o Município.

14/08/2026

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A Prefeitura do Rio Grande e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) discutem novas possibilidades de cooperação para fortalecer a conservação ambiental e, ao mesmo tempo, ampliar iniciativas ligadas ao turismo de natureza, à educação ambiental, à pesquisa e às atividades econômicas compatíveis com a preservação dos ecossistemas. O assunto esteve entre os temas tratados durante a visita do presidente do ICMBio, Mauro Pires, ao Município, no início desta semana.

Pires esteve reunido com a prefeita Darlene Pereira e gestores de diferentes secretarias municipais. Além das questões relacionadas ao Parque Nacional da Lagoa do Peixe e ao Parque Nacional do Albardão, o presidente do instituto manteve uma agenda de trabalho com o secretário do Meio Ambiente, Antônio Carlos Soler, ampliando a discussão sobre ações conjuntas entre o Município e o órgão federal.

A relação entre o Rio Grande e o ICMBio é histórica e envolve diferentes frentes de cooperação. O secretário explicou que o Município possui duas unidades de conservação municipais — a Área de Proteção Ambiental (APA) da Lagoa Verde e o Parque Natural Municipal da Barra — que integram o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), além de estarem inseridas nas estratégias estadual e municipal de proteção ambiental.

Para o secretário, essas áreas cumprem uma função que vai além da preservação da biodiversidade e do estímulo ao ecoturismo. A APA da Lagoa Verde, por exemplo, reúne importantes áreas úmidas, como banhados e marismas, que contribuem para a regulação das águas e podem auxiliar na redução dos impactos provocados por eventos extremos, como chuvas intensas, enchentes e alagamentos.

“Essas áreas protegidas são fundamentais também para o enfrentamento da emergência climática. Além de proteger a biodiversidade e fomentar o ecoturismo, elas cumprem uma função importante na regulação das águas e na proteção do Rio Grande diante dos eventos climáticos extremos”, explicou Soler.

Conservação e desenvolvimento

Durante a reunião, a Prefeitura apresentou ao ICMBio as ações que vêm sendo desenvolvidas na área ambiental e as possibilidades de integração entre as políticas municipais e federais. Entre as propostas discutidas estão o fortalecimento do ecoturismo e do turismo de natureza, a educação ambiental, a pesquisa científica, a pesca artesanal, a agricultura familiar e a agricultura ecológica.

O Executivo rio-grandino pretende estimular atividades econômicas de baixo impacto, capazes de gerar trabalho e renda sem comprometer a conservação dos recursos naturais. Na avaliação de Mauro Pires, Rio Grande reúne características que favorecem esse tipo de estratégia, pela combinação entre atividade portuária e industrial, turismo e um patrimônio natural de grande relevância.

“Entendemos que há espaço para uma parceria entre a Prefeitura e o ICMBio que ajude a transformar a conservação da natureza também em vetor de desenvolvimento e prosperidade para o Município”, afirmou o presidente do instituto.

Pires também apontou como possibilidades de atuação conjunta a recuperação de áreas degradadas, iniciativas de restauração ecológica, educação ambiental e visitação, além do estímulo a atividades econômicas compatíveis com os ecossistemas locais.

Mudanças climáticas

Outro eixo da conversa foi a utilização das áreas naturais como parte da estratégia de adaptação às mudanças climáticas. O presidente do ICMBio avaliou que a conservação desses ambientes também representa uma forma de proteção da população e do patrimônio diante dos eventos extremos. “O secretário nos apresentou áreas protegidas municipais que, além de conservarem a biodiversidade, podem contribuir para a regulação das águas e para a redução dos impactos de enchentes e alagamentos, cuja gravidade o Rio Grande do Sul experimentou de maneira dramática em 2024. Investir na conservação desses ambientes significa, portanto, também proteger pessoas, atividades econômicas e patrimônio público e privado”, disse.

Soler apresentou ao presidente do ICMBio projetos municipais relacionados à criação de corredores ecológicos, arborização urbana, parques lineares e parques urbanos, além da Rede Municipal de Parques, criada ano passado. Esta rede reúne os parques urbanos do Bolaxa, Senandes e das Caturritas - este último concebido em 2025 e ampliado este ano -, além do Parque Municipal da Barra. Soler diz que a estratégia busca qualificar e proteger esses espaços, considerando sua contribuição para a saúde, a qualidade do ar, o lazer, a biodiversidade e o enfrentamento da emergência climática.

As ações também estão alinhadas à estratégia de arborização urbana baseada no conceito 3-30-300, que estabelece como referência a presença de árvores próximas às residências, a arborização de pelo menos 30% dos bairros e o acesso a uma área verde em uma distância de até 300 metros.

Integração entre áreas protegidas

A aproximação entre o Rio Grande e o ICMBio também poderá contribuir para uma maior integração entre as unidades de conservação municipais e as áreas protegidas federais existentes na região. De acordo com Mauro Pires, a formação de corredores e mosaicos de conservação pode ampliar a proteção ambiental e, simultaneamente, criar melhores condições para o desenvolvimento de atividades relacionadas ao turismo, à pesquisa, à educação, à restauração ambiental e à geração de trabalho e renda.

Outra possibilidade discutida envolve cooperação técnica e científica, intercâmbio de informações e utilização compartilhada de equipamentos, ampliando as condições para a realização de ações conjuntas. “O que estamos construindo é uma possibilidade de aumentar a cooperação que já existe. A partir de agora, vamos seguir nas tratativas para colocar em prática esse fortalecimento da parceria”, antecipou Soler.

Ao final da agenda, o presidente do ICMBio e a prefeita Darlene Pereira assumiram o compromisso de ampliar a cooperação entre o instituto e o Município. Para Pires, a proposta é demonstrar, na prática, que conservação ambiental e desenvolvimento podem caminhar juntos. Disse que “conservar a natureza não significa impedir o desenvolvimento: significa criar as condições para que ele seja mais resiliente, duradouro e capaz de gerar prosperidade para a população”.

Uma comitiva do ICMBio acompanhou o presidente Mauro Pires no município do Rio Grande: Cláudia Rios - gerente regional sul; Kelen Leite - coordenadora geral de Criação e Planejamento de Unidades de Conservação; Thaís Pereira - chefe de gabinete; Juliano de Oliveira - chefe da REVIS Ilha dos Lobos; Luiz Francisco Faraco - coordenador territorial; e Vinícius Benvegnú - chefe da base avançada da gerência regional do sul.

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