Acessibilidade Contraste Mapa do Site

Notícias

Transição energética - Rio Grande celebra um ano da assinatura do projeto-piloto Aura Sul Wind com a empresa japonesa JB Energy

O projeto abastecerá, inicialmente, com energia limpa o próprio complexo do Porto do Rio Grande. Entre 5 mil e 10 mil empregos diretos e indiretos na região devem ser gerados até 2030.

08/06/2026

Compartilhe esse conteúdo:

Compartilhe:

No próximo sábado (13), o município do Rio Grande celebra um ano da assinatura da parceria e colaboração empresarial que oficializou o Aura Sul Wind, o pioneiro projeto-piloto de energia eólica offshore flutuante do Brasil. Liderada pela japonesa Japan Blue Energy (JB Energy) em cooperação com empresas parceiras, academia e governos – federal, estadual e municipal, entre os quais a Prefeitura rio-grandina –, a iniciativa consolida o Rio Grande como o coração da transição energética na América do Sul, na avaliação do professor e CEO da JB Energy, Rodolfo Gonçalves.

Semana passada, na Conferência Brazil Offshore Wind and Power-to-X realizada em Natal (RN), Gonçalves anunciou a conclusão com sucesso da Fase 1 (estudos de viabilidade e definição de grupos de trabalho) e o início imediato da Fase 2 do projeto Aura Sul Wind, focada no detalhamento de engenharia, no desenvolvimento da cadeia de suprimentos local e nos estudos sócio-ambientais para obtenção da Licença Prévia Ambiental. 

Na apresentação da nova fase do projeto, em evento na sede da Prefeitura Municipal, em maio deste ano, o CEO da empresa japonesa enfatizou o caráter revolucionário da iniciativa para a região. Disse que “existirá offshore wind antes e depois do Aura Sul Wind”. O executivo da empresa reafirmou o protagonismo global e a relevância estratégica que o município do Rio Grande assume no cenário mundial à medida que o projeto se concretiza.

A prefeita Darlene Pereira tem acompanhado de perto cada etapa da instalação da empresa. No ato de inauguração e fixação da sede da JB Energy no Oceantec - parque científico e tecnológico Furg -, em janeiro, a Chefa do Executivo exaltou a vocação natural e o direcionamento estratégico do Rio Grande. Disse que “a nossa cidade sabe olhar para o mar não apenas como uma bela paisagem, mas como o nosso futuro”, apontando a relevância da parceria entre o poder público, a academia e a iniciativa privada para o desenvolvimento regional.

Investimento milionário

Para Rodolfo Gonçalves, a escolha do Rio Grande para receber o projeto consolida um ecossistema de diferenciais competitivos que não encontra paralelo em nenhuma outra região do Brasil. Um montante de US$ 100 milhões de investimento total é esperado a ser injetado ao longo dos próximos quatro anos, até a etapa de início da operação da planta-piloto, em 2030.

A engrenagem do projeto une a presença de ventos de classe mundial — caracterizados por uniformidade, altas velocidades, e previsibilidade — à robusta infraestrutura logística do complexo do Porto do Rio Grande, que oferece o calado profundo e a expertise naval necessários para a movimentação e montagem de megaestruturas marítimas. Essa base física ganha sustentação com o envolvimento histórico da Furg e o contar com centros de inovação e tecnologia, como o Oceantec, criando um ambiente integrado capaz de capitanear a pesquisa tecnológica e formar a mão de obra altamente qualificada exigida pelo setor. Soma-se a esse arranjo a presença estratégica do SimCosta, o Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira, que confere ao Município a melhor e mais completa infraestrutura para medições e dados oceanográficos e meteorológicos de todo o território nacional.

Empregos e a tecnologia flutuante

Diferente das torres fixadas no leito do oceano, o Aura Sul Wind utilizará a inovadora tecnologia japonesa Raijin Float. Trata-se de bases flutuantes feitas de módulos de concreto pré-moldado, um material amplamente dominado pela indústria civil brasileira. As estruturas serão totalmente construídas e montadas dentro do próprio distrito industrial do Rio Grande, São José do Norte e região, antes de serem rebocadas para o mar. A estimativa das empresas parceiras é que a consolidação desse hub de fabricação gere entre 5 mil e 10 mil empregos diretos e indiretos na região até o início das operações, previsto para o final desta década, somente com o projeto piloto, número que pode se multiplicar nas fases comerciais seguintes. 

O projeto abastecerá, inicialmente, com energia limpa o próprio complexo do Porto do Rio Grande, descarbonizando as atividades logísticas da zona portuária. “Por ser instalado em águas profundas (acima de 40 metros), o impacto visual e ambiental na costa é drasticamente reduzido”, explica o CEO.

Para a Prefeitura do Rio Grande, o recente avanço no termo de referência junto ao Ibama, discutido em comitivas locais, reafirma o compromisso em transformar o Rio Grande em uma referência de inovação e transição industrial, atraindo novos investimentos globais e gerando renda com responsabilidade socioambiental. Para dar sustentação a essa evolução técnica, as campanhas de medições de condições ambientais e monitoramento da fauna já estão agendadas para iniciar entre os meses de setembro e outubro deste ano. Essa etapa crucial de coleta de dados em alto-mar será realizada por meio de uma sólida parceria estratégica entre o sistema SimCosta, a Fugro, a blueOasis, a Portos-RS e a Marinha do Brasil.

Compartilhe:

de

3

Leia notícias relacionadas