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Prefeitura sedia debates sobre mudanças climáticas com pesquisadores da Furg em preparação para a 2ª COPSul

Evento mostrou a importância da integração entre pesquisa científica, gestão pública e a sociedade para a construção de estratégias capazes de reduzir vulnerabilidades diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

25/06/2026

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A programação do Junho de Debates e Ação Socioambiental promoveu, na quarta-feira (24), mais uma atividade voltada à reflexão sobre os impactos das mudanças climáticas e os desafios da adaptação ambiental no município do Rio Grande. Realizado no Salão Nobre Deputado Carlos Santos, na Prefeitura Municipal, o encontro organizado pela Secretaria de Meio Ambiente (SMMA), reuniu gestores da pasta, ambientalistas, professores e pesquisadores da Furg das áreas de Ciências Biológicas, Economia e Oceanografia, e integrantes de órgãos ambientais.

Em cerca de três horas, os participantes debateram os avanços e os desafios das políticas climáticas locais, compartilhando estudos desenvolvidos no Município e na região. A atividade também integrou a preparação para a 2ª Conferência Regional Sul sobre Mudanças Climáticas e Sustentabilidade (COPSul), cuja abertura ocorre nesta quinta-feira (25), em Rio Grande, com programação de encerramento na sexta-feira (26), em Pelotas.

A programação foi dividida em três painéis. O primeiro teve a participação do professor Júnior Borella, do Instituto de Ciências Biológicas da Furg. Em seguida, apresentaram estudos os economistas Gibran Teixeira, Márcio Nora Barbosa e Pedro Leivas, integrantes do Grupo de Pesquisa em Economia Azul da universidade. O último painel foi conduzido pela professora Margareth Copertino, do Instituto de Oceanografia.

O professor Júnior Borella apresentou resultados parciais de um projeto desenvolvido em parceria com a SMMA e fomentado pelo Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema). O estudo investiga os efeitos de eventos climáticos extremos, como enchentes e secas severas, sobre espécies nativas características das matas ciliares e dos banhados da região.

Entre as espécies analisadas pelo pesquisador estão a figueira e a corticeira-do-banhado, consideradas importantes para a manutenção dos ecossistemas locais. O trabalho busca compreender como essas plantas respondem às alterações ambientais e de que forma podem contribuir para ações de restauração ecológica e adaptação climática. Os resultados obtidos também são compartilhados com a comunidade por meio de atividades de extensão, feiras, eventos públicos e ações educativas realizadas em escolas e na própria universidade. De acordo com Borella, o projeto está em fase avançada de execução e deverá ser concluído, oficialmente, no final deste ano, embora novas pesquisas derivadas dos resultados já estejam em andamento.

Impactos econômicos das enchentes

No segundo painel, o professor Gibran Teixeira apresentou análises sobre os impactos econômicos e sociais das enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul, com destaque para os reflexos observados no Rio Grande. Os estudos indicam que os municípios mais atingidos pelas inundações registraram perdas significativas de empregos, redução de atendimentos em saúde e aumento da incidência de doenças relacionadas à contaminação da água, como a leptospirose.

Ainda em relação ao Município, os levantamentos apontam vulnerabilidades em áreas da península rio-grandina, onde estão concentradas estruturas urbanas e equipamentos públicos importantes, como o Terminal Portuário. O estudo também identificou desvalorização imobiliária em imóveis localizados próximos à Lagoa dos Patos, especialmente entre aqueles de menor valor comercial. Por outro lado, houve maior valorização em imóveis situados no Cassino.

Outro aspecto apresentado foi a redução do estoque de empregos em áreas afetadas pelos eventos extremos. Conforme o pesquisador, compreender os impactos econômicos e acompanhar o ritmo da recuperação das atividades são etapas importantes para o planejamento de medidas de adaptação e prevenção diante da possibilidade de novos eventos climáticos severos.

Ecossistemas costeiros

Encerrando a programação, a professora Margareth Copertino abordou o papel dos ecossistemas costeiros na mitigação das mudanças climáticas, com foco nas marismas do estuário da Lagoa dos Patos. A pesquisadora explicou que esses ambientes funcionam como importantes reservatórios naturais de carbono, contribuindo para a absorção de parte das emissões de gases de efeito estufa geradas pelas atividades humanas. Na avaliação dela, a conservação e a recuperação desses ecossistemas são fundamentais para ampliar a capacidade de adaptação da região às mudanças climáticas.

Durante a apresentação, Copertino ressaltou que estudos recentes apontam que o setor de transportes é atualmente o principal responsável pelas emissões de gases de efeito estufa no município. Ela observou que, embora os ambientes naturais contribuam para a captura de carbono, a redução das emissões na fonte continua sendo essencial.

A professora também alertou para as pressões sofridas pelas marismas ao longo das últimas décadas, em razão da expansão urbana, de atividades agropecuárias e da construção de infraestruturas que limitam a adaptação natural desses ecossistemas à elevação do nível das águas e à ocorrência de eventos extremos.

As marismas do estuário da Lagoa dos Patos ocupam cerca de 72 mil hectares e estão entre as maiores áreas desse tipo no Rio Grande do Sul. Porém, uma pesquisa realizada com dados desde 1860, avaliou que houve perdas de marismas em torno de 50%. “Essa perda foi nas primeiras décadas, até por volta de 1940. Foi a época de ocupação, colonização da cidade. Mas a perda foi principalmente por agricultura, que avançou nessas áreas, pecuária, e por ocupação urbana.” Além de armazenarem carbono, as marismas desempenham papel importante na proteção das margens contra processos erosivos e na manutenção da biodiversidade regional, explicou a pesquisadora.

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