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Prefeitura do Rio Grande participa de Cortejo Cultural e apresenta proposta do Museu do Batuque à ministra da Cultura

Representantes do Município participaram de atividade em Pelotas e entregaram à ministra Margareth Menezes documento solicitando apoio para a criação do espaço

09/09/2026

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A Prefeitura do Rio Grande, por meio da Secretaria de Município da Cultura e Economia Criativa (SMCEC), participou, nesta quarta-feira (9), do Cortejo Cultural Raízes de Pelotas, realizado no próprio município. A atividade integrou a agenda da ministra da Cultura, Margareth Menezes, no extremo sul do estado, e reuniu representantes do poder público, agentes culturais e lideranças religiosas em um momento de valorização da cultura afro-brasileira e das tradições de matriz africana.


Para participar da programação, um ônibus saiu do Rio Grande levando diversos representantes do Município, entre agentes culturais e integrantes do Povo de Terreiro. A participação reforçou a articulação entre Rio Grande e Pelotas na valorização e preservação das manifestações culturais de matriz africana na região.


O cortejo teve início na Praça Coronel Pedro Osório e seguiu até o assentamento do Orixá Bará, localizado no Mercado Público de Pelotas. Durante o trajeto, representantes e lideranças religiosas apresentaram à ministra aspectos da relação da região Sul com as religiões de matriz africana e com o Batuque, além da realização de rituais tradicionais. Após o cortejo, uma roda de conversa realizada no Mercado Público reuniu a ministra, representantes religiosos, gestores públicos e agentes culturais para discutir a importância da preservação da memória, do respeito ao sagrado e da valorização das manifestações culturais de matriz africana. Na oportunidade, o secretário adjunto da SMCEC, Júnior Popoti, entregou à ministra um ofício apresentando a proposta de criação do Museu do Batuque, em Rio Grande, e solicitando apoio do Ministério da Cultura para a continuidade e concretização do projeto.


A proposta é uma demanda do Conselho Municipal do Povo de Terreiro, vinculado à SMCEC, e também conta com indicação da vereadora Regininha no Legislativo Municipal. O projeto vem sendo desenvolvido pela Prefeitura, por meio da SMCEC, em parceria com o Conselho Municipal do Povo de Terreiro, a Coordenadoria Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).


Para a secretária da Cultura e Economia Criativa, Rita Patta Rache, a presença da ministra no extremo sul representa uma oportunidade de aproximar as políticas públicas federais das iniciativas desenvolvidas no município. “A presença de uma gestora pública federal, à frente de uma instituição que tem promovido uma série de políticas muito bem acolhidas pelo setor cultural, é muito importante. Especialmente no que diz respeito à cultura negra e à cultura afro-brasileira”, destacou.


Segundo Rita, a entrega do documento representa mais um passo na construção do Museu do Batuque. “O povo de terreiro esteve presente para entregar pessoalmente à ministra e protocolar um pedido de apoio à implementação e criação do Museu do Batuque em Rio Grande, que é a cidade berço do Batuque. Trazer esse documento e solicitar apoio mais direto do Ministério da Cultura cria, para nós, a possibilidade de fortalecer essa iniciativa e de vê-la concretizada em Rio Grande”, afirmou.


Júnior Popoti também destacou a importância da aproximação entre Rio Grande e Pelotas, Municípios que, segundo ele, possuem uma forte relação cultural e histórica. “Rio Grande e Pelotas estão muito próximas e precisam caminhar juntas culturalmente. São dois Municípios com uma potência gigantesca: Rio Grande, por ser a cidade mais antiga do Estado e pelas portas de entrada de negros e negras, e Pelotas, por também ter recebido e desenvolvido todo esse movimento cultural”, ressaltou.


Durante a roda de conversa, a ministra Margareth Menezes destacou a importância de preservar as memórias e manifestações culturais construídas historicamente pela população negra e pelos povos de terreiro. Para ela, a cultura é parte viva da sociedade e as políticas públicas devem garantir que diferentes expressões culturais sejam contempladas. “Cultura é vida, e quem faz a cultura são as pessoas. A missão do Ministério é fazer com que as políticas cheguem a todos os lugares e que todas as culturas sejam contempladas”, afirmou a ministra.


Museu do Batuque 


A proposta de criação do Museu do Batuque parte do reconhecimento do Rio Grande como cidade berço do Batuque no Brasil e busca criar um espaço dedicado à preservação, pesquisa e difusão da história, dos saberes, fazeres, memórias e práticas culturais dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana.


A iniciativa está relacionada ao trabalho de Mapeamento Socioeconômico e Cultural das Unidades Territoriais Tradicionais de Matriz Africana do Município do Rio Grande, desenvolvido pela Coordenadoria Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial em parceria com a FURG e com apoio do Conselho Municipal do Povo de Terreiro.


O mapeamento busca identificar os terreiros existentes no Município, conhecer suas características socioeconômicas, registrar suas memórias, patrimônios culturais, saberes e fazeres tradicionais e também identificar situações de violação de direitos e racismo religioso. Até o momento, já foram identificadas cerca de 2.100 Unidades Territoriais Tradicionais de Matriz Africana, em um levantamento que ainda não alcançou metade dos bairros do município e não contempla as áreas rurais.


A partir desses dados e da trajetória histórica da população negra e do Povo de Terreiro no Rio Grande, o Museu do Batuque é pensado como um espaço de salvaguarda e valorização de uma das matrizes formadoras da cultura e da identidade do município e do estado.


Além de conservar registros históricos, a proposta prevê que o museu seja um espaço de produção contínua de conhecimento, com pesquisas e registros de saberes, fazeres, memórias e práticas culturais, construídos de forma participativa com a comunidade.


Atualmente, a iniciativa busca viabilidade financeira para sua estruturação. Por isso, o documento entregue à ministra solicita o apoio do Ministério da Cultura para dar continuidade ao projeto e contribuir para a criação do Museu do Batuque no Município do Rio Grande.

 

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