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Mudanças climáticas exigem adaptação, apontam pesquisadores na 7ª Mostra de Sementes Crioulas

Profissionais da Embrapa, UFPel e Emater prestigiaram o evento e destacaram a experiência dos agricultores familiares e sua constante capacidade de adaptação às novas condições ambientais

12/09/2026

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Um dos momentos mais aguardados da programação da 7ª Mostra de Sementes Crioulas, realizada na manhã e tarde deste sábado (12), na Vila da Quinta, foi a palestra do meteorologista e professor da Faculdade de Meteorologia da UFPel, Júlio Marques, que apresentou projeções climáticas para a Primavera e o início do Verão. O pesquisador alertou para um cenário de chuvas acima da média no Sul do Brasil, semelhante ao registrado em 2015. 

De acordo com ele, embora algumas culturas de sequeiro possam ser beneficiadas pela maior disponibilidade hídrica durante o Verão, o excesso de precipitação provoca saturação do solo, dificulta a germinação, atrasa plantios e reduz a radiação solar, fator essencial para o desenvolvimento vegetativo das plantas. Como medidas de adaptação, Júlio orientou os agricultores a priorizarem áreas mais elevadas, melhorar o escoamento da água nas propriedades, utilizar camalhões – porções de terras - mais altos e manter cobertura vegetal para reduzir processos erosivos. Ainda assim, acredita que a agricultura continuará sendo uma atividade de risco e que a experiência prática dos produtores será fundamental para enfrentar mais esse ciclo climático.

Por sua vez, a pesquisadora da Embrapa Clima Temperado, Patrícia Martins da Silva participou de uma roda de conversa dedicada justamente ao papel das sementes crioulas diante das mudanças ambientais. Ela enfatizou que o encontro foi muito além da conservação de sementes: representou a conservação do uso dessas variedades. Afirmou que são os agricultores que escolhem, cultivam, consomem, comercializam e transmitem esse patrimônio genético, associando as sementes à soberania alimentar, à geração de renda e às políticas públicas voltadas à agricultura familiar.

Patrícia defendeu que as variedades crioulas não estão desaparecendo; ao contrário, elas oferecem parte da resposta aos desafios climáticos. Conforme a pesquisadora, quanto maior a diversidade genética presente nas propriedades, maior também a capacidade de adaptação da agricultura familiar às novas condições ambientais. A troca de sementes promovida durante a mostra ainda ajuda a recuperar variedades eventualmente perdidas e reduz o processo de erosão genética no território.

Emater

Gerente regional Sul da Emater, Rogério Silveira afirmou que quem vive e trabalha no meio rural tem papel decisivo na construção de um futuro mais sustentável. Para ele, a forma como agricultores, técnicos e instituições conduzem suas atividades pode servir de exemplo para toda a sociedade nas questões climáticas e ambientais, reforçando a importância do trabalho desenvolvido coletivamente em toda a região.

Reconhecimento aos guardiões

A mostra também foi marcada por homenagens. A Associação dos Guardiões de Sementes Crioulas recebeu uma placa da Câmara Municipal, por proposição do vereador Glauber Nunes (PT), em reconhecimento aos serviços prestados na preservação da agrobiodiversidade.

Em contrapartida, a associação homenageou o secretário da Secretaria de Município de Relações Institucionais e Comunitárias (SMREIC), Cláudio Costa, e o secretário-adjunto da Secretaria de Agricultura e Pecuária (SMAP), Cledenir Mendonça, pelo histórico de incentivo aos agricultores familiares produtores de sementes crioulas.

Representando a prefeita Darlene Pereira, Cláudio Costa frisou que o Município acompanha cerca de 15 produtores de sementes crioulas, fortalecendo sua produção por meio de políticas públicas e da aquisição de alimentos destinados à merenda escolar. Disse que preservar essas sementes significa preservar também a memória das famílias, dos povos indígenas, quilombolas e dos colonizadores que formaram a cultura alimentar do Rio Grande.

Para Cledenir Mendonça, um dos pioneiros no apoio aos guardiões no município do Rio Grande, a sétima edição confirmou o amadurecimento da mostra. Ele avalia que a combinação entre conhecimento científico, experiência dos agricultores e iniciativas como o concurso de feijoada aproximou ainda mais a comunidade desse patrimônio rural, fortalecendo uma tradição que continua sendo cultivada e compartilhada entre gerações.

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