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Rio Grande fortalece cooperação internacional em saúde e clima com acordos firmados durante seminário
Encontro reuniu representantes do Brasil e da Itália para discutir sistemas universais de saúde, democracia, participação social, formação, pesquisa e enfrentamento às emergências climáticas
20/09/2026
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Rio Grande sediou, na manhã deste sábado (19), no Salão Nobre da Prefeitura, uma das atividades do Seminário Internacional “O enfrentamento às emergências climáticas e o fortalecimento de sistemas universais de saúde: produzindo redes internacionais de formação e pesquisa”. O encontro reuniu representantes de instituições brasileiras e italianas para discutir os desafios contemporâneos da saúde pública e ampliar a cooperação entre gestão, universidades, pesquisa e territórios.
A programação teve como tema “Participação social nas políticas públicas, o desenvolvimento do trabalho e a democracia como valor: avanços nas interações entre políticas públicas, a pesquisa e as interações com os territórios como inovação”.
Participaram da atividade a secretária municipal da Saúde, Juliana Acosta, representando a prefeita Darlene Pereira; o gerente de Ensino e Pesquisa do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Alcindo Ferla; o vice-reitor da FURG, Edinei Primel; a coordenadora do Fórum Internacional da Associação Rede Unida, Maria Augusta Nicole; a prefeita de Bentivoglio, na Itália, Alice Vecchi, por videoconferência; o pró-reitor de Relações Internacionais da Universidade de Parma, Andrea Cillioni; o professor emérito da Unicamp e da UFRJ e pesquisador associado à Rede Unida, Emerson Elias Merhy; e a senadora italiana Albertina Soliani, também de forma remota.
Dois acordos ampliam a cooperação
Um dos principais momentos do encontro foi a formalização de duas iniciativas de cooperação. A primeira envolve o Grupo Hospitalar Conceição e a Secretaria Municipal da Saúde de Rio Grande, com foco na integração ao ecossistema interoperável iPES/Saúde na Mão.
O acordo estabelece uma cooperação técnico-científica para o desenvolvimento de ações de gestão em saúde, inovação, intercâmbio de informações técnico-científicas, monitoramento de indicadores, avaliação de políticas públicas, geração de conhecimento e estímulo à pesquisa.
A proposta busca enfrentar a fragmentação dos sistemas de informação em saúde e ampliar a integração dos dados para qualificar a atenção. Entre os resultados esperados estão o aumento da efetividade dos serviços, o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, a qualificação dos encaminhamentos, maior segurança na comunicação entre profissionais, a redução de filas e o apoio à tomada de decisões com base em dados oportunos e confiáveis.
Durante o seminário, a secretária municipal da Saúde, Juliana Acosta, destacou a importância da parceria com o GHC para o processo de transformação digital da saúde em Rio Grande.
“A integração com o GHC representa um passo importante para transformar informação em cuidado. O Saúde na Mão e toda a estrutura de interoperabilidade permitem que os dados estejam mais organizados e disponíveis para apoiar trabalhadores, gestores e usuários. É uma tecnologia que precisa estar a serviço das pessoas e da qualificação do SUS.”
O gerente de Ensino e Pesquisa do GHC, Alcindo Ferla, explicou que o aplicativo Saúde na Mão foi desenvolvido para funcionar como uma porta de entrada digital para os serviços do SUS, permitindo ao usuário acessar informações e orientações de saúde de forma integrada e segura.
“O Saúde na Mão se assemelha, em alguns aspectos, aos aplicativos bancários. A pessoa terá acesso a um conjunto de serviços, com mecanismos de segurança para proteger suas informações. Será possível consultar o histórico de procedimentos realizados e também utilizar uma funcionalidade que escuta o usuário a partir dos sintomas apresentados e oferece alternativas de cuidado.”
Segundo Ferla, a ferramenta também poderá utilizar inteligência artificial para auxiliar na orientação dos usuários, considerando informações como faixa etária, histórico clínico e os sintomas relatados.
“Se a inteligência artificial identificar uma situação de menor risco, poderá indicar, por exemplo, a unidade básica de saúde mais próxima e permitir o agendamento ou uma comunicação rápida com o serviço. Quando houver dúvida sobre o grau de risco, a ferramenta será conservadora e indicará um nível superior de atenção, podendo orientar a busca por uma emergência hospitalar ou até acionar o SAMU. A segurança clínica é um princípio fundamental do aplicativo.”
O desenvolvimento da ferramenta já avançou em parceria entre as equipes do GHC e da Secretaria Municipal da Saúde de Rio Grande. De acordo com Ferla, a etapa atual envolve a particularização do aplicativo para o município, permitindo que os usuários tenham acesso às informações e serviços da rede local.
“Rio Grande é o município que mais avançou nessa cooperação com o Ministério da Saúde e com o GHC e será o primeiro a ter o aplicativo particularizado para a realidade do SUS municipal. A expectativa é que, nos próximos dias, a ferramenta esteja pronta para que as pessoas possam criar suas contas e se conectar com a saúde diretamente pela palma da mão. É um esforço do Ministério da Saúde, do GHC e, principalmente, da equipe da Secretaria Municipal da Saúde de Rio Grande. Esperamos que isso facilite muito a vida do usuário do SUS, que tem direito a ser atendido e bem atendido.”
Rio Grande e Bentivoglio estabelecem parceria de proposta para cidades-irmãs
O segundo acordo firmado estabelece uma cooperação técnica entre Rio Grande e Bentivoglio, município da Região Metropolitana de Bolonha, na Itália.
O documento destaca que o modelo de cidades-irmãs, ou gemellaggio, permite fortalecer intercâmbios culturais, turísticos e econômicos. No caso das duas cidades, a iniciativa pretende ampliar o compartilhamento de informações, experiências e práticas, especialmente no campo das políticas públicas e da saúde.
Apesar da distância geográfica e das diferenças sociais, históricas e econômicas, o documento identifica uma série de pontos de conexão entre os territórios. As duas cidades possuem forte relação com a água e com atividades de transporte de cargas, contam com importantes estruturas logísticas, possuem áreas úmidas e ecossistemas associados à biodiversidade e apresentam tradição histórica no cultivo de arroz.
Outro ponto de aproximação é o impacto crescente das emergências climáticas, especialmente relacionadas ao volume de chuvas, que afetam os dois territórios e criam oportunidades para ações conjuntas.
A relação também possui uma dimensão histórica. O documento destaca o papel do Porto do Rio Grande como porta de entrada de imigrantes italianos no Rio Grande do Sul, especialmente no final do século XIX.
A cooperação atual também tem origem nas atividades do Laboratório Ítalo-Brasileiro de Formação, Pesquisa e Práticas em Saúde Coletiva, que desenvolve ações de cooperação entre os dois países. O documento aponta a saúde como principal elo, destacando os sistemas universais existentes nas duas nações e os desafios enfrentados pelos municípios fora das capitais.
O acordo prevê o intercâmbio de conhecimentos, experiências e boas práticas, especialmente nas áreas de saúde, transformação digital, desenvolvimento sustentável, enfrentamento das emergências climáticas e outros temas de interesse comum.
A secretária municipal da Saúde, Juliana Acosta, ressaltou que a parceria amplia as possibilidades de intercâmbio entre os territórios e pode contribuir para a construção de novas estratégias de gestão.
“Esse acordo representa uma oportunidade muito importante para Rio Grande ampliar o diálogo e a troca de experiências com Bentivoglio. Temos desafios que ultrapassam fronteiras, especialmente na saúde, na proteção dos territórios e no enfrentamento das emergências climáticas. A partir dessa parceria, podemos compartilhar conhecimentos, conhecer outras experiências de gestão e construir iniciativas conjuntas que contribuam para qualificar as políticas públicas e fortalecer os sistemas universais de saúde.”
Participando do encontro de forma remota, a prefeita de Bentivoglio, Alice Vecchi, destacou as características que aproximam os dois municípios e a possibilidade de transformar essas conexões em uma agenda permanente de cooperação.
“Rio Grande e Bentivoglio estão distantes geograficamente, mas encontramos muitas conexões entre os nossos territórios. A relação com a água, as áreas úmidas, a produção de arroz, a logística e os desafios provocados pelas mudanças climáticas mostram que podemos aprender umas com as outras. Além disso, as duas cidades têm mulheres à frente da gestão. Esta proposta de cidades-irmãs representa a construção de uma ponte permanente para compartilhar experiências e desenvolver ações de interesse comum.”
O gerente de Ensino e Pesquisa do GHC, Alcindo Ferla, ressaltou a importância das redes de cooperação para enfrentar desafios que ultrapassam as fronteiras administrativas.
“As redes de cooperação nos permitem construir uma soberania translocal, sem perder a capacidade de escutar aquilo que os territórios produzem. A cooperação só faz sentido quando é construída de forma democrática, reconhecendo os diferentes saberes e experiências e criando condições para que eles possam dialogar e produzir novas respostas para os desafios da saúde.”
Após a assinatura dos termos de cooperação, foi formada uma segunda mesa de trabalho, dando continuidade à programação do seminário. A atividade foi conduzida pelo professor emérito da Unicamp e da UFRJ e pesquisador associado à Rede Unida, Emerson Elias Merhy, e aprofundou o debate sobre participação social, democracia, políticas públicas, formação, pesquisa e a relação entre instituições e territórios.
Para o vice-reitor da FURG, Edinei Primel, a universidade possui uma vocação diretamente relacionada aos objetivos da rede, especialmente pela atuação científica e social voltada aos ecossistemas costeiros e oceânicos.
“Em nome da FURG, manifesto nosso interesse de integrar essa rede, uma rede que acolhe, que une e que tem compromisso com os povos e territórios. A universidade tem uma responsabilidade científica e social com os espaços onde está inserida, e a cooperação entre instituições permite ampliar a capacidade de produzir conhecimento conectado às necessidades concretas da população.”
A secratária Juliana Acosta destacou a importância de conectar essas iniciativas à gestão municipal, dando exemplo de um projeto que já vem sendo desenvolvido junto a Universidade.
“Estamos vivendo um momento em que não é mais possível discutir saúde sem considerar o território e os impactos das emergências climáticas. O PET-Saúde Clima, em parceria com a FURG, contribui justamente para aproximar formação, pesquisa e realidade dos territórios. É esse conhecimento produzido junto às comunidades que pode ajudar a construir políticas públicas mais preparadas para os novos desafios.”
A senadora italiana Albertina Soliani, que participou de forma remota, trouxe ao encontro uma análise sobre a trajetória política e histórica da Itália e a importância da cooperação internacional para a construção de políticas universais.
Em sua fala, reforçou a necessidade de defender a democracia como fundamento para a construção de políticas públicas e relações de cooperação entre os povos.
“A experiência histórica nos mostra que políticas universais de cooperação precisam estar assentadas na democracia, na participação e na capacidade de construir coletivamente. A democracia é uma conquista que ninguém pode nos roubar.”
Doutorado internacional em Saúde Coletiva
O seminário internacional acontece até o dia 22 de setembro, passando pelos municípios de Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande e Santa Maria. Uma das principais metas da programação é avançar na estruturação de um doutorado internacional em Saúde Coletiva, a partir de um acordo de cotutela entre a Universidade de Parma, na Itália, e a Associação Rede Unida.
A proposta pretende definir os eixos temáticos do futuro projeto e ampliar as possibilidades de cooperação internacional em formação e pesquisa na área da saúde coletiva.
A agenda integra ainda as atividades comemorativas dos 70 anos do Grupo Hospitalar Conceição, aproximando instituições de ensino, pesquisa, gestão e serviços de saúde em torno de uma agenda comum de fortalecimento dos sistemas universais e de preparação para os desafios impostos pelas emergências climáticas.
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