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Prefeitura, Refinaria e Furg discutem o projeto-piloto para aproveitamento de óleo de cozinha (UCO)
14/10/2026
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A Prefeitura do Rio Grande, a Furg e a Refinaria Riograndense deram mais um passo na estruturação do projeto-piloto que visa transformar o óleo de cozinha usado (UCO, sigla em inglês para Used Cooking Oil) em matéria-prima para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF). A proposta para a implantação de uma Central Municipal de UCO no Rio Grande inclui a participação da universidade e de cooperativas de catadores, associando reaproveitamento de resíduos, geração de renda e inclusão social. A ideia geral integra o projeto que propôs a transformação da Refinaria de Petróleo Riograndense na primeira biorrefinaria do Brasil com utilização de combustíveis 100% renováveis.
O andamento do projeto-piloto, a ser desenvolvido no município do Rio Grande, foi discutido em reunião entre a prefeita Darlene Pereira, professores da Furg, a gerência de Novos Negócios da Refinaria Riograndense e a Secretaria de Serviços Urbanos (SMSU). No encontro, o gerente desta área na Refinaria, João Luís Bulla apresentou informações sobre o planejamento da iniciativa e as etapas de implementação, que passa a ter a participação da Furg neste processo.
A Furg ficará responsável por levantamentos de dados, análises de mercado e diagnóstico das cooperativas interessadas, incluindo condições estruturais, licenças e necessidades de adequação. A participação da universidade permitirá desenvolver um modelo de negócio para inserir as cooperativas no mercado de fornecimento de óleo usado.
Conforme Bulla, a matéria-prima (UCO) precisa atender a critérios internacionais de sustentabilidade e certificação para ser utilizada na produção de combustível destinado à aviação. Na opinião dele, a proposta se fortalece ao contemplar organizações de catadores da Região Sul do Estado e a universidade.
Na reunião, foi apresentada a estrutura de um Centro Municipal de Referência para Coleta de UCO. Esse espaço poderá servir de modelo para diversas cidades do Estado e de outras regiões do Brasil, sendo que toda a produção terá como destino final a biorrefinaria.
Cadeia de fornecimento
O projeto busca dar destinação adequada ao óleo de cozinha usado, que pode acabar junto aos resíduos domiciliares ou ser descartado incorretamente, e transformá-lo em fonte de renda para os catadores. O secretário Dirceu Lopes relacionou a iniciativa ao desenvolvimento econômico, à inclusão social e à preservação ambiental, com possibilidade de ampliar a remuneração dos trabalhadores e movimentar o comércio local.
A professora Márcia Umpierre, do curso de Gestão de Cooperativas da Furg, no campus de São Lourenço do Sul, também apontou a geração de renda e a valorização do trabalho dos catadores entre os resultados esperados. Ela observou que a separação correta dos resíduos pela população será importante para que o óleo chegue às cooperativas e possa ser aproveitado pela indústria.
Colega de Márcia na universidade, a técnica-administrativa Lúcia Nobre explicou que a iniciativa está articulada ao trabalho regional do Catasul, que reúne ações da Furg, no Rio Grande e São Lourenço do Sul, e do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), em Pelotas. A proposta combina a destinação ambientalmente adequada do resíduo com a inclusão dos catadores em uma cadeia produtiva de maior valor agregado.
Operação em 2029
Apesar dos avanços, o projeto-piloto ainda está na fase inicial de planejamento. A expectativa da Refinaria Riograndense é estruturar a cadeia de fornecimento a tempo de atender à demanda da sua nova planta industrial, cuja entrada em operação está prevista o início de 2029.
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