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Criação da Central de Libras é oficializada durante abertura do Setembro Azul
03/09/2026
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Em evento no Centro Integrado (CI), na Avenida Silva Paes, a Prefeitura do Rio Grande, por meio da Coordenadoria Municipal das Pessoas com Deficiência e Altas Habilidades (COMDAH), realizou a abertura oficial do Setembro Azul, dedicado à comunidade surda. O ato também marcou a oficialização do contrato da Central de Libras do Município, que deve entrar em funcionamento nos próximos dias.
A ação reuniu um grande público no auditório do Centro Integrado, como secretários, vereadores, professores, representantes de órgãos ligados à defesa dos direitos das pessoas com deficiência, pessoas surdas e equipes e alunos da Escola Bilíngue Professora Carmen Regina Teixeira Baldino.
O Setembro Azul é um período dedicado à conscientização, à valorização da cultura e da história da comunidade surda, além do fortalecimento das políticas públicas voltadas à garantia de direitos e à inclusão. A Central de Libras é uma dessas políticas, atendendo a uma reivindicação histórica da comunidade surda rio-grandina, e representa um avanço concreto na garantia da acessibilidade, permitindo que cidadãos surdos sejam atendidos em sua própria língua, tanto presencialmente quanto por videochamada
A Central funcionará na sede da SMADH, junto ao setor do Cadastro Único, na Rua General Osório, 536, no Centro. O serviço contará com duas intérpretes presenciais e também oferecerá atendimento remoto por videochamada, ampliando o acesso à comunicação em Libras.
Para viabilizar a operação, o Município firmou Termo de Cooperação com a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), vencedora de edital específico para o serviço, e responsável pela contratação das intérpretes. O contrato tem vigência inicial de 12 meses.
De acordo com a prefeita Darlene Pereira, a implantação era pensada desde o início da gestão e estava prevista no programa de governo. Entre as tratativas, ficou definida a presença do serviço na área da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, uma vez que ela considera um “direito fundamental”.
“Eu estou muito feliz por estar fazendo isso, mas eu tenho a consciência de que é direito de vocês, é obrigação do poder público. A gente está ampliando essa possibilidade de direitos, construindo uma sociedade melhor. Quando eu falo uma sociedade melhor, eu falo não numa sociedade que tenha mais dinheiro, que tenha um PIB maior, e sim uma sociedade em que as pessoas possam viver melhor, possam ser mais felizes e ter qualidade de vida. É isso que a gente quer construir”, comenta.
Além disso, ela também revelou que o Executivo tem a intenção de criar o cargo de intérpretes de libras, que hoje não está previsto no quadro do Município. “É um compromisso nosso, que tenham servidores públicos, para dar continuidade e garantir essa política pública que é tão importante para a nossa comunidade.
Como coordenador da Comdah, Rafael Carneiro lembra que a Central sempre foi uma prioridade do setor, e que a conquista é fruto de um trabalho feito a muitas mãos “como as mãos que são as principais ferramentas de trabalho das intérpretes”. Ele ressalta que o direito à comunicação é um dos principais, pois a falta dela pode impedir o acesso aos demais direitos.
“Tive vários sentimentos, muita alegria pela Central sendo concretizada. Muita emoção porque foi muita luta para que isso saísse do papel. A gente sabe que vai atender a demanda, mas é muito possível que ela ainda não seja suficiente. É um passo gigantesco, um avanço gigantesco, mas vamos precisar continuar avançando na acessibilidade nos eventos, na nossa comunicação institucional. Tudo isso vamos poder fazer a médio e longo prazos, a partir dessa Central, a partir desse momento que estamos vivendo hoje”, afirma.
Utilizando a Linguagem Brasileira de Sinais, o representante da Feneis, Túlio Genke, parabenizou a conquista e a realização do evento, com grande participação da comunidade surda. Também frisou a importância de associações e movimentos sociais para trabalhar as questões dessa área, e o histórico de barreiras enfrentadas ao longo dos anos. Uma delas a da comunicação, e os problemas gerados para atendimentos em várias áreas, como na saúde, assistência, segurança, entre outros.
“Porque nós, surdos, muitas vezes somos invisibilizados. Parece que não estamos presentes nos espaços, mas a gente está e a gente existe. Então é importante estar em meio a representatividade, não importa a idade, sendo homem ou mulher. É importante estarmos nos espaços e mostrarmos, de fato, que estamos aí”, diz.
Michele Moraes será uma das intérpretes responsáveis pelo atendimento. Filha de pai e mãe surdos, ela cresceu em meio a comunidade, vivenciando a falta de acessibilidade. Isso foi sua motivação. “ Não tenho palavras para expressar meu sentimento de gratidão por poder fazer parte dessa equipe, poder atender a população, estar ali no dia a dia. Acho que é onde mais me identifico, fazendo essa comunicação, fazendo acontecer”.
Setembro Azul
Em 2025,a Lei Municipal nº 9.345, de autoria do vereador Glauber Nunes (PT), incluiu o Setembro Azul no calendário oficial de eventos do Rio Grande. Para Rafael Carneiro, a legislação consolidou um espaço permanente para o diálogo com a comunidade surda e para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à autonomia, à igualdade de oportunidades e ao acesso pleno aos serviços públicos.
Que nós possamos, a partir desse mês de setembro, partir desse marco histórico que é a assinatura do contrato da Central de Libras, valorizar cada vez mais a Libras, valorizar cada vez mais a cultura surda e tirar as pessoas surdas da invisibilidade. A falta da comunicação, a falta da Libras, ela impede o acesso a direitos, o acesso à saúde, à assistência social, à habitação, a todos os demais direitos. Sem essa comunicação, não existe o acesso a direitos. E a gente sabe que tem muito para avançar”, acrescentou.
Confira a programação do Setembro Azul
Dia 12 – 9h - Escola Municipal de Educação Bilíngue Carmem Regina Teixeira Baldino: roda de conversa com as famílias, instrutores e monitores surdos
Dia 18 – 14h – CRAS Hidráulica: oficina de LIBRAS para os grupos de idosos dos CRAS
Dia 19 – 9h – Centro Esportivo da FURG: Festival paralímpico
Dia 21: Oficina sobre o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência tendo como tema o atendimento às pessoas surdas na Assistência Social - 14h - Auditório do Centro Integrado, na Av. Silva Paes, 191
Dia 23: Encontro Escolar Surdo em Porto Alegre
Dia 25 – 19h30min – Sociedade Cultural Águia Branca: Jantar Alusivo ao Setembro Azul, promovido pela EMEB Carmem Regina Teixeira Baldino
Dia 30: Dia da Comunidade Surda na Furg
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