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SMCEC publica edital para ocupação cultural do Teatro Municipal entre outubro a dezembro
Na agenda de pré-reabertura, dois grupos envolvidos em projetos culturais do SESC se apresentaram no teatro. No sábado, foi o Coletivo Croa, do Pará. Na segunda-feira, o Cabokaji, da Bahia. Os dois lotaram a casa.
25/08/2026
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A Secretaria da Cultura e Economia Criativa publicou a Chamada Pública SMCEC 07/2026 destinada à seleção de propostas de ocupação cultural do palco do Teatro Municipal do Rio Grande. As inscrições de propostas podem ser feitas até as 10h, do dia 1º de setembro, próxima terça-feira, por e-mail ou presencialmente na sede da SMCEC. Qualquer dúvida pode ser sanada enviando mensagem para o e-mail smcec.editais.rg@gmail.com. O edital está disponível para consulta no site da Prefeitura, no endereço “SMCEC Editais 2026”, ou no Instagram da Secretaria https://www.instagram.com/smcec_rg/?hl=pt-br.
A publicação do edital coincide com duas apresentações culturais na agenda de pré-reabertura do Teatro Municipal. As duas lotaram a casa de espetáculos. A primeira foi no sábado (22) à noite, com o grupo Coletivo Croa, do Pará, que trouxe o espetáculo Corpos de Tambor. O grupo está no projeto Palco Giratório, do SESC, o maior projeto de circulação de artes cênicas do Brasil. A outra apresentação foi na noite de segunda-feira (25). No palco, o show musical do grupo Cabokaji, da Bahia, integrante do projeto Sonora Brasil.
Márcio Gouveia, diretor do SESC Rio Grande, comemorou as apresentações e agradeceu a parceria com a Prefeitura do Rio Grande, por meio da SMCEC e do Teatro Municipal, assim como a Escola de Belas Artes, e já convidou o público para o próximo evento: dia 8 de setembro. Nesta data, o teatro receberá outra edição do Sonora Brasil, agora, com o grupo Jean Pankararu, de Pernambuco. Mais informações sobre esse espetáculo pelo número de WhatsApp (53)991636497.
Para a secretária da Cultura e Economia Criativa, Rita Rache, a circulação dos espetáculos pelo país e a parceria com o SESC contribuíram para uma pré-reabertura significativa do Teatro Municipal. Ela avaliou que as apresentações do Coletivo Croa e do Cabokaji “oxigenam a produção cultural e a vida aqui no teatro”, além de possibilitarem o contato do público com diferentes referências culturais brasileiras. Rita chamou atenção para a presença de um público diversificado nas atividades, incluindo crianças que participaram da programação mesmo diante do frio, e afirmou ter ficado emocionada com a produção artística apresentada. Para ela, a mistura de ritmos provoca não apenas o corpo e o movimento, mas também a reflexão sobre a história e as diferentes referências culturais do país.
A secretária explicou que a pré-reabertura ocorre enquanto algumas etapas da obra do Teatro Municipal são concluídas. A programação de agosto e setembro será realizada por meio de parcerias institucionais, enquanto, a partir de outubro, o espaço terá sua ocupação cultural ampliada, conforme o edital publicado pela SMCEC, com datas disponíveis entre 7 de outubro e 20 de dezembro.
Reverberações Afro e Indígenas
A diretora do Teatro Municipal, Raquel Valério lembrou que as duas apresentações foram muito valorizadas pelo público rio-grandino. Citou que foi a primeira vez, em mais de 30 anos, que um grupo com raízes indígenas, o Cabokaji/BA, se apresenta no palco do teatro. Na plateia, estavam, também, dezenas de crianças ligadas à Associação de Moradores do Bairro Atlântico Sul e pessoas da Comunidade Terapêutica Vida Nova. Raquel disse que “é muito público espontâneo mostrando que Rio Grande consome e valoriza a pluralidade das manifestações e expressões artísticas”.
Este ano, o projeto Sonora Brasil traz o tema "Reverberações Afro e Indígenas”, destacando a ancestralidade e a contemporaneidade na música nacional. Dentro dessa proposta, o espetáculo “Corpos de Tambor”, apresentado pelo Coletivo Croa, mostrou a dança, utilizando a corporeidade da cultura urbana pulsante em danças como o Breaking e o House, para explorar as potencialidades dos corpos criadores. Ao experimentar a musicalidade do batuque afro-amazônico e ameríndio como estímulo indutor para a criação e composição cênica, os artistas permitem-se aflorar suas ancestralidades, as quais tornam-se elemento constitutivo do processo que aglutina a musicalidade e corporeidade dos batuques com as danças de rua.
O Cabokaji se identifica como uma plataforma artística da cena contemporânea baiana que cruza música, performance e pensamento a partir das matrizes indígeno-pindorâmica e afro-brasileira. Tendo a figura do Cabôco como referencial simbólico e ritualístico — presente em tradições como o tambor de mina, a umbanda, os candomblés de nação Bantu, Jêje e Kêto, além de outras religiosidades que bebem integralmente de ciências e medicinas nativas de Pindorama — o grupo constrói uma linguagem que conecta espiritualidade/ancestralidade, território e experimentações sonoras e cênicas.
Fotos: SESC/Rio Grande, Paula Liaroma e ECOS/Prefeitura/RG
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